O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter recebido mais de 1.800 ameaças de morte desde que passou a defender o enquadramento do Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV), milícias e outras facções criminosas como organizações terroristas ou narcoterroristas.
A declaração foi feita durante agenda eleitoral em Belo Horizonte, onde Flávio também afirmou que precisou reforçar sua segurança e vem utilizando colete à prova de balas durante compromissos de campanha.
O número de 1.800 ameaças foi informado pelo próprio candidato e não possui, até o momento, documentação pública que permita verificar individualmente todos os casos.
Candidato diz que ameaças aumentaram após proposta contra facções
Durante o discurso, Flávio relacionou o aumento das ameaças à sua proposta de endurecimento do combate às principais organizações criminosas brasileiras.
Segundo o candidato, as ameaças começaram a se intensificar depois que ele anunciou que, caso seja eleito, pretende enquadrar facções como PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
“Desde que falei que ia classificar PCC e Comando Vermelho como terroristas, já recebi 1800 ameaças de morte”, afirmou Flávio durante o evento em Minas Gerais.
Ele acrescentou que sua família também teria se tornado alvo e afirmou depender de apoio policial para realizar algumas agendas públicas.
Campanha determina uso de colete à prova de balas
O esquema de segurança do candidato foi reforçado com o início oficial da campanha eleitoral.
O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, afirmou que Flávio deverá fazer a campanha utilizando colete à prova de balas, seguindo orientação da equipe responsável por sua proteção.
Durante o evento realizado em Belo Horizonte na segunda-feira (17), o candidato confirmou que estava utilizando o equipamento.
A preocupação com segurança ganhou ainda mais destaque em razão de uma agenda inicialmente prevista para Juiz de Fora, município onde Jair Bolsonaro foi esfaqueado durante a campanha presidencial de 2018.
O compromisso de Flávio na cidade acabou cancelado por condições meteorológicas.
Homem foi alvo de operação após ameaça nas redes sociais
Um dos episódios recentes envolvendo ameaça contra Flávio Bolsonaro resultou em atuação da Polícia Legislativa e da Justiça.
Um tatuador de 41 anos, morador de Juiz de Fora, foi conduzido à delegacia no sábado (15) depois de publicar uma mensagem nas redes sociais considerada uma possível ameaça contra o candidato.
A publicação foi feita em uma postagem que divulgava a passagem de Flávio pela cidade. Segundo a apuração policial, o homem escreveu uma mensagem acompanhada por emojis de facas.
A Polícia Legislativa do Senado identificou a publicação durante o monitoramento de riscos relacionados aos senadores candidatos nas eleições deste ano.
As evidências digitais foram preservadas e o caso foi encaminhado às autoridades de Minas Gerais. A Justiça autorizou busca e apreensão e determinou que o investigado fique a pelo menos 500 metros de Flávio Bolsonaro, além de proibir qualquer contato com o candidato, inclusive pelas redes sociais.
A polícia não informou, naquela atualização, se o homem permaneceu detido após prestar esclarecimentos.
Segurança pública é uma das principais bandeiras da campanha
O combate ao crime organizado ocupa posição de destaque no programa eleitoral apresentado por Flávio Bolsonaro.
Em junho, o candidato divulgou um conjunto de 12 medidas prioritárias para a segurança pública, incluindo a classificação das principais facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
O plano cita diretamente PCC e Comando Vermelho e prevê atuação mais rígida contra lideranças e estruturas financeiras dessas organizações.
Entre as propostas também aparecem a criação de um Sistema Nacional de Fronteira, integração das forças policiais e das Forças Armadas em ações específicas e aumento dos investimentos federais destinados à segurança pública.
Flávio também vem defendendo redução da maioridade penal e a construção de novas unidades de segurança máxima como parte de seu programa para o setor.
A relação feita entre as propostas contra as facções e as 1.800 ameaças de morte é apresentada pelo próprio candidato. Embora existam episódios concretos de ameaça sob apuração policial, não há confirmação pública independente de que todas as ameaças mencionadas tenham origem em integrantes do PCC, Comando Vermelho ou outras organizações criminosas.







