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Impacto Geral

Alvo de operação, ex-prefeito atribui buscas a disputa eleitoral em Pontes e Lacerda

Foto: Reprodução

O ex-prefeito de Pontes e Lacerda Alcino Barcelos (PL), candidato a deputado estadual, se manifestou nesta sexta-feira (25) após ser alvo da Operação Gamorra, deflagrada pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público de Mato Grosso.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Alcino questionou a realização da operação na reta final da campanha e atribuiu as buscas a uma possível motivação política.

A afirmação representa a versão apresentada pelo candidato. Até o momento, não há informação divulgada pelas autoridades que comprove motivação eleitoral na realização da operação.

A votação do primeiro turno das eleições de 2026 está marcada para 4 de outubro.

Operação investiga contratos da Prefeitura

A Operação Gamorra cumpre 12 ordens judiciais em Pontes e Lacerda contra agentes públicos e pessoas ligadas à iniciativa privada.

A investigação apura suspeitas de fraude em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa envolvendo contratos firmados pela Prefeitura de Pontes e Lacerda entre 2017 e 2024.

Entre as medidas autorizadas pela Justiça estão buscas e apreensões, acesso a dados telemáticos, quebra de sigilos bancário, fiscal e financeiro e indisponibilidade de bens, direitos e valores.

A operação conta com apoio da Polícia Civil e da Controladoria-Geral do Estado (CGE).

Dinheiro e arma foram apreendidos

Durante as buscas, equipes recolheram documentos, dinheiro e uma arma de fogo na residência do ex-prefeito.

Ao comentar a apreensão, Alcino afirmou que o dinheiro estava guardado dentro do quarto e negou que estivesse escondido.

Sobre a arma, o candidato disse tratar-se de uma garrucha calibre 28 que teria recebido do pai e que estaria sem munição.

O material apreendido deverá ser analisado no decorrer da investigação.

Contratos chegam a R$ 5,78 milhões

Uma das frentes da investigação envolve a empresa Concretubos Pré-Moldados Ltda.

Segundo o Naco, foram identificados sete contratos entre a empresa e a Prefeitura. Cinco deles, firmados entre 2022 e 2023, movimentaram aproximadamente R$ 4,7 milhões.

Com atualização monetária, o valor chega a R$ 5,78 milhões.

Alcino defendeu as contratações e afirmou que os pregões eram abertos, permitindo a participação de outras empresas.

A investigação, por outro lado, apura possível favorecimento à Concretubos e analisa vínculos familiares, empresariais e funcionais entre agentes públicos e particulares relacionados às contratações.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também indicaram movimentações financeiras consideradas suspeitas, conforme informações divulgadas sobre a operação.

Compra de fazenda também é investigada

Outro ponto apurado pelo Naco é a aquisição da propriedade rural Estância Rancho Fundo I pelo ex-prefeito.

Segundo os investigadores, a negociação previa o pagamento por meio da entrega de 100 cabeças de gado da raça Nelore.

O Naco afirma, porém, que não encontrou registros oficiais de movimentação pecuária compatíveis com a transação.

Alcino também afirmou que continuará sua campanha eleitoral.

As suspeitas investigadas pelo Ministério Público ainda estão em fase de apuração e as medidas judiciais cumpridas não representam, por si só, condenação ou comprovação dos crimes investigados.

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