Impacto Geral

Lula pode ampliar espaço do Centrão para governar diante de Congresso mais hostil

Congresso Nacional | Arquivo/Agência Brasil

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva abre uma nova disputa política antes mesmo do início do próximo mandato: a formação de uma base capaz de garantir votos no Congresso Nacional.

Segundo análise publicada pelo SBT News nesta segunda-feira (26), Lula enfrentará o Congresso mais desfavorável de sua trajetória presidencial e poderá ser obrigado a ampliar significativamente o espaço do Centrão dentro do governo.

Uma das possibilidades avaliadas nos bastidores é até mesmo entregar maior protagonismo na articulação política a nomes ligados ao centro e à centro-direita.

PL terá as maiores bancadas

O principal desafio do governo estará na nova composição do Legislativo.

O PL, partido de Flávio Bolsonaro, terá a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 121 das 513 cadeiras.

No Senado, a sigla também terá a maior bancada, com 28 dos 81 senadores.

Já a federação formada por PT, PCdoB e PV terá 88 deputados.

Essa composição aumenta a necessidade de negociação do Palácio do Planalto com partidos de centro para aprovar projetos.

Centrão continuará decisivo

Embora tenha perdido espaço nas eleições, o chamado Centrão continuará exercendo papel determinante no Congresso.

Segundo a análise do SBT, sem o apoio de partidos desse grupo, Lula poderá enfrentar dificuldades até mesmo para aprovar projetos que exigem maioria simples.

PSD e MDB aparecem entre as legendas desse campo político com maior proximidade do governo.

No terceiro mandato, Lula já entregou 11 ministérios a União Brasil, PSD, MDB, Republicanos e PP.

Entretanto, os principais postos do núcleo político e econômico permaneceram fora do controle desses partidos.

Alckmin pode ganhar espaço

Uma das alternativas mencionadas é aumentar o peso político do vice-presidente Geraldo Alckmin.

Embora atualmente esteja no PSB, Alckmin construiu boa parte de sua carreira no PSDB e mantém interlocução com setores de centro e centro-direita.

No discurso da vitória, Lula deu a palavra primeiro ao vice-presidente.

O gesto foi interpretado no meio político como uma demonstração do espaço que Alckmin poderá ocupar no próximo governo.

Hugo Motta ganha força na Câmara

A nova composição do Congresso também interfere diretamente na disputa pela presidência da Câmara.

Hugo Motta, do Republicanos, já recebeu apoio de um bloco de partidos de centro e do Centrão que soma 252 deputados.

Com uma provável adesão do PT e de outras siglas da esquerda, sua recondução poderá ganhar uma base ainda maior.

Motta deverá ser um dos principais interlocutores do Palácio do Planalto na Câmara.

Alcolumbre também entra nas negociações

No Senado, Davi Alcolumbre também ganha importância.

O atual presidente da Casa mantém boa relação com Lula e poderá contar com apoio governista para buscar novo mandato no comando do Senado.

Entretanto, encontrará resistência do PL, que poderá apresentar candidatura própria.

Entre os nomes citados estão Rogério Marinho e Tereza Cristina.

Orçamento e segurança estarão no centro das disputas

As primeiras grandes negociações deverão começar ainda em novembro e dezembro.

Entre os principais assuntos estão o Orçamento de 2027, as diretrizes orçamentárias e a PEC da Segurança Pública.

Lula também pretende recriar o Ministério da Segurança Pública.

Além disso, a nova composição parlamentar deverá pressionar o governo em temas econômicos, regras de execução do Orçamento e propostas relacionadas ao Poder Judiciário.

Articulação ainda é cenário, não decisão

Apesar das avaliações políticas, Lula ainda não anunciou que entregará o comando da articulação política ao Centrão.

A possibilidade apresentada pelo SBT News reflete a correlação de forças formada pelas eleições e as avaliações de aliados sobre as dificuldades que o novo governo encontrará no Congresso.

A definição dependerá das negociações para a montagem do próximo ministério e dos acordos construídos com os partidos durante os próximos meses.

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