O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) já tinha conhecimento, antes da decisão da União Europeia, de que o Brasil não atendia plenamente às exigências sanitárias do bloco para exportação de carnes e outros produtos de origem animal.
A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo, com base em um parecer interno do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Mapa.
O documento foi concluído em 1º de abril de 2026, mais de 40 dias antes de a União Europeia retirar o Brasil da lista de países considerados aptos a vender produtos de origem animal ao mercado europeu.
A decisão europeia foi tomada em 12 de maio e deve passar a valer a partir de 3 de setembro de 2026.
Segundo a reportagem, o parecer do Mapa apontava que os controles brasileiros eram insuficientes para atender às regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.
O principal problema identificado foi a dependência de autodeclarações feitas por produtores e empresas do setor. Para os técnicos, esse modelo não garantia fiscalização oficial e independente sobre o uso de medicamentos nos animais criados para produção de alimentos.
A União Europeia exige que os países exportadores comprovem controle oficial verificável, com auditorias e amostragem baseada em risco, especialmente em relação ao uso de antibióticos e outros antimicrobianos.
O bloco europeu proíbe o uso desses medicamentos como promotores de crescimento e restringe substâncias consideradas importantes para tratamentos humanos. A preocupação é evitar o avanço da resistência antimicrobiana, que pode reduzir a eficácia de antibióticos.
Em abril, o Mapa publicou portarias para tentar adequar o Brasil às exigências europeias. No entanto, uma das medidas abriu prazo de 180 dias para esgotamento de estoques de determinadas substâncias, o que ultrapassaria o prazo definido pela União Europeia.
A decisão do bloco pode afetar exportações brasileiras de carne bovina, carne de frango, ovos, pescados, mel e outros produtos de origem animal.
Entidades do setor produtivo negam que haja uso excessivo de antimicrobianos na produção brasileira. A Associação Brasileira de Proteína Animal afirmou que a discussão envolve a necessidade de adequação dos mecanismos oficiais de verificação e validação documental.
O caso também ocorre em meio a pressões de produtores europeus contra a carne brasileira, especialmente da Irlanda, e reacende o debate sobre barreiras sanitárias, protecionismo comercial e exigências impostas ao agronegócio brasileiro.







