Déficit das estatais dispara e atinge R$ 7,4 bilhões em 2026, segundo Banco Central

Foto: Reprodução

As empresas estatais brasileiras monitoradas pelo Banco Central acumularam déficit primário de R$ 7,4 bilhões entre janeiro e maio de 2026.

O resultado representa forte crescimento em relação ao mesmo período do ano passado, quando o saldo negativo era de R$ 3,6 bilhões.

No acumulado de 12 meses até maio, o rombo das estatais chegou a R$ 9,7 bilhões.

Os dados foram divulgados pelo Banco Central no relatório de estatísticas fiscais.

Apesar do resultado negativo no acumulado do ano, houve melhora pontual no mês de maio.

No período, as estatais registraram superávit de R$ 0,3 bilhão, depois de terem apresentado déficit de R$ 1,8 bilhão em abril.

Mesmo com esse alívio mensal, o desempenho acumulado segue pressionando as contas públicas.

O levantamento do Banco Central não inclui Petrobras, bancos públicos, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES, nem estatais financeiras.

A metodologia considera o impacto das empresas nas contas públicas e na necessidade de financiamento do setor público.

Segundo a leitura do Banco Central, quando uma estatal apresenta necessidade de financiamento, o Tesouro Nacional pode precisar cobrir a diferença por meio de emissão de dívida ou uso de recursos arrecadados.

O cenário ocorre em meio à piora do resultado fiscal do setor público consolidado.

Em maio, União, Estados, municípios e estatais registraram déficit primário de R$ 56,1 bilhões.

No acumulado de 12 meses, o rombo do setor público chegou a R$ 149 bilhões, equivalente a 1,14% do PIB.

Outro fator de pressão é o peso dos juros nominais.

Em maio, a conta de juros somou R$ 107,5 bilhões.

No acumulado de 12 meses, os juros chegaram a R$ 1,11 trilhão, o equivalente a 8,48% do PIB.

A Dívida Líquida do Setor Público atingiu 67,9% do PIB em maio.

O governo federal, no entanto, contesta a metodologia usada pelo Banco Central para avaliar as estatais.

Integrantes da equipe econômica argumentam que os dados do BC não detalham informações contábeis como receitas, custos, ativos, passivos e lucro líquido das empresas.

O Ministério da Gestão informou que, por outro critério, as estatais federais registraram lucro de R$ 169,4 bilhões em 2025.

A divergência metodológica mantém o tema em debate e deve seguir no centro das discussões sobre contas públicas, responsabilidade fiscal e desempenho das empresas controladas pelo Estado.

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