Antônio Gomes da Silva, réu confesso pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, afirmou nesta quarta-feira (30), durante interrogatório no Tribunal do Júri de Cuiabá, que seria capaz de matar um desembargador caso tivesse provas de que o magistrado estivesse envolvido em corrupção.
A declaração ocorreu durante questionamentos da defesa no segundo dia do julgamento dos acusados pela morte do advogado.
Antônio voltou a assumir a autoria dos disparos contra Zampieri e sustentou aos jurados que teria agido por iniciativa própria, motivado pelo que classificou como uma “missão” contra a corrupção.
O réu também negou ter recebido pagamento para cometer o homicídio e afirmou que não teria existido mandante.
Réu citou suspeitas de venda de decisões
Durante o interrogatório, Antônio afirmou que pesquisou informações sobre Roberto Zampieri antes do crime e citou reportagens envolvendo suspeitas de venda de decisões judiciais.
Segundo sua versão, essas informações teriam influenciado sua decisão de matar o advogado.
As declarações feitas pelo acusado sobre uma suposta participação de Zampieri em atos de corrupção representam a versão apresentada pelo próprio réu e não comprovam, por si só, as acusações feitas contra a vítima.
Questionado pela defesa sobre o que faria caso recebesse uma tarefa envolvendo um desembargador que considerasse corrupto, Antônio afirmou que também poderia cometer o crime, desde que tivesse provas da prática de corrupção.
Desembargadores foram alvo de investigações do CNJ
As declarações ocorreram em meio a investigações que surgiram após a análise de mensagens e arquivos encontrados no celular de Roberto Zampieri.
Em agosto de 2024, o Conselho Nacional de Justiça determinou o afastamento cautelar dos desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Segundo o CNJ, as apurações identificaram indícios de vínculos próximos entre os magistrados e Zampieri, além de suspeitas de recebimento de vantagens indevidas relacionadas à prolação de decisões judiciais.
As investigações administrativas e criminais sobre essas suspeitas possuem tramitações próprias e não representam condenação definitiva dos magistrados.
Antônio diz que não houve mandante
Durante o depoimento, o réu também apresentou uma versão diferente da linha sustentada pela acusação sobre a organização do homicídio.
Ele negou ter sido contratado para matar Zampieri e afirmou que decidiu cometer o crime por conta própria.
Antônio contou ainda que monitorou a rotina do advogado em Cuiabá e utilizou disfarces e uma história fictícia para tentar se aproximar do escritório antes da execução.
Segundo seu próprio relato, no dia do homicídio ele aguardou o momento em que Zampieri entrou no veículo e efetuou os disparos.
Três réus estão sendo julgados
Antônio Gomes da Silva está sendo julgado ao lado de Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso, Antônio é apontado como o responsável pelos disparos que mataram Roberto Zampieri.
As responsabilidades atribuídas aos demais réus também estão sendo analisadas pelo Conselho de Sentença.
O julgamento prossegue no Fórum de Cuiabá, e caberá aos jurados decidir sobre a responsabilidade criminal de cada acusado.







