O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (8 de junho de 2026) e tem caráter preventivo, após o registro de eventos adversos graves que ainda estão sob investigação.
Segundo informações do governo federal, foram registrados 42 episódios de reações mais severas entre cerca de 500 mil doses aplicadas. Desse total, três casos foram considerados mais graves, sendo que dois terminaram em morte.
O Ministério da Saúde informou que, até o momento, não há dados suficientes para afirmar que os casos tenham sido causados pela vacina. Por isso, a investigação será aprofundada com participação da própria pasta, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Instituto Butantan e da rede de saúde.
A suspensão não tem prazo definido. De acordo com o governo, a medida segue o princípio da precaução e busca identificar possíveis fatores de risco relacionados aos casos em análise. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o sistema de vigilância permite detectar eventos raros e inesperados após a vacinação.
A orientação é que pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias monitorem a evolução do quadro de saúde. Em caso de sintomas persistentes, piora clínica ou sinais de alerta, a recomendação é procurar atendimento médico.
A vacina do Butantan estava sendo aplicada em profissionais da atenção primária de saúde e também em ações de vacinação em municípios como Nova Lima (MG), Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Araguaína (TO).
O imunizante, conhecido como Butantan-DV, é uma vacina de dose única contra a dengue. O produto é composto por vírus atenuados dos quatro sorotipos da doença e foi aprovado pela Anvisa em novembro de 2025. Segundo o Ministério da Saúde, estudos clínicos indicavam eficácia global de 74%, redução de 91% dos casos graves e proteção de 100% contra hospitalização por dengue.
Em nota, o Instituto Butantan informou que a interrupção temporária segue orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa. O instituto afirmou que seguirá colaborando com as autoridades sanitárias, fornecendo informações, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados.
O caso segue em investigação.






