Bets retiraram R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras em 2025, aponta estudo

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

As empresas de apostas esportivas online receberam R$ 62,5 bilhões líquidos das famílias brasileiras ao longo de 2025, segundo levantamento elaborado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal, em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado.

O valor representa a diferença entre o dinheiro transferido pelos apostadores às plataformas e os recursos devolvidos pelas empresas na forma de prêmios.

Os dados integram a terceira atualização do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, que analisou o comportamento das transações realizadas por Pix antes e depois da regulamentação do mercado de apostas online.

Segundo o estudo, após o cadastramento obrigatório das empresas, em janeiro de 2025, houve forte crescimento das transferências feitas por pessoas físicas para companhias classificadas no setor de artes, cultura, esporte e recreação, categoria utilizada para enquadrar as operações das bets.

O volume mensal dessas movimentações passou de aproximadamente R$ 5 bilhões para mais de R$ 25 bilhões em poucos meses. Em meados de 2025, as transferências chegaram a um pico próximo de R$ 42 bilhões.

Estudo calculou impacto das apostas

Para estimar quanto desse crescimento estava diretamente relacionado às bets, os pesquisadores construíram um cenário estatístico baseado no comportamento histórico das transações registrado até agosto de 2024.

A metodologia buscou calcular qual seria o volume esperado de movimentações caso as empresas regulamentadas de apostas não tivessem entrado no mercado.

Entre outubro de 2024 e março de 2026, as plataformas teriam acrescentado, em média, R$ 24,1 bilhões por mês às transações realizadas via Pix.

Considerando apenas 2025, primeiro ano completo após a regulamentação, o impacto acumulado sobre o volume de movimentações foi estimado em R$ 350,97 bilhões.

Esse número, porém, não representa a perda efetiva das famílias, pois inclui valores apostados que posteriormente retornaram aos usuários em forma de premiação.

Saída líquida chegou a R$ 62,5 bilhões

Ao comparar os pagamentos realizados pelos apostadores com os valores recebidos em prêmios, o estudo estimou uma transferência líquida média de R$ 4,7 bilhões por mês para as empresas.

No acumulado de 2025, essa saída líquida de recursos chegou a R$ 62,5 bilhões.

O montante corresponde a cerca de 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias, indicador que mede os recursos disponíveis para consumo e poupança.

Os pesquisadores destacam que a diferença entre valores pagos e prêmios recebidos é uma característica do mercado de apostas, no qual apenas parte do dinheiro movimentado retorna aos jogadores.

Restrição ao Bolsa Família reduziu movimentações

O levantamento também identificou uma desaceleração das transferências a partir de outubro de 2025, período em que passou a vigorar a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família.

Para os responsáveis pelo estudo, a redução sugere que famílias de menor renda tinham participação relevante nas apostas esportivas online.

Os dados reforçam o debate sobre os efeitos econômicos das plataformas no orçamento doméstico e sobre a necessidade de medidas de prevenção ao endividamento e ao comportamento compulsivo.

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