TJMT mantém júri de Carlinhos Bezerra e rejeita afastamento de juíza

Foto: Josi Dias/TJMT

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve para esta sexta-feira (31) o julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, pelo Tribunal do Júri de Cuiabá.

A Segunda Câmara Criminal rejeitou o pedido da defesa para suspender a sessão e afastar a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal da capital.

Carlinhos Bezerra é acusado das mortes de Thays Machado, servidora do Tribunal de Justiça, e de William Moreno, namorado dela. O crime ocorreu em janeiro de 2023, em Cuiabá.

A decisão foi assinada pelo juiz convocado Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto, que atua no gabinete do desembargador Sergio Valério.

Defesa alegou perda de imparcialidade

A defesa apresentou uma exceção de suspeição contra a magistrada, alegando que ela teria perdido a imparcialidade durante a sessão do júri iniciada em 21 de julho.

Os advogados questionaram uma série de decisões tomadas pela juíza, incluindo o indeferimento de pedidos relacionados às provas e aos documentos do processo.

Um dos principais argumentos envolveu uma frase utilizada pela magistrada ao decidir uma questão sobre a cadeia de custódia das provas.

Na ocasião, a juíza afirmou que existiriam outras provas capazes de sustentar uma condenação. Para a defesa, a declaração indicaria um julgamento antecipado sobre a culpa do réu.

O Tribunal, porém, acolheu a explicação de que a frase reproduzia um precedente do Superior Tribunal de Justiça e havia sido utilizada para resolver uma questão técnica do processo.

Segundo o relator, a declaração não representava uma opinião pessoal da magistrada sobre a responsabilidade criminal de Carlinhos Bezerra.

Decisões contrárias não comprovam suspeição

Na decisão, o juiz convocado afirmou que medidas processuais contrárias aos interesses de uma das partes não são suficientes para caracterizar parcialidade.

Conforme o entendimento apresentado, a suspeição exige circunstâncias concretas que demonstrem interesse pessoal do juiz, favorecimento indevido, animosidade ou abandono da posição de imparcialidade.

O relator considerou que a defesa não apresentou, até o momento, elementos seguros capazes de afastar a presunção de imparcialidade da magistrada.

O TJMT também rejeitou os questionamentos relacionados à demora no acesso às mídias digitais da perícia e ao prazo concedido para a análise de documentos.

Júri anterior foi interrompido

A sessão de julgamento iniciada em 21 de julho não foi concluída após os advogados contratados pelo réu deixarem o plenário.

Diante da situação, a juíza remarcou o júri para 31 de julho e nomeou a Defensoria Pública para atuar de forma subsidiária, sem retirar os advogados particulares do processo.

A magistrada também determinou o envio de informações à Ordem dos Advogados do Brasil para análise da conduta dos defensores.

Esse encaminhamento também foi questionado pela defesa, mas o Tribunal não identificou fundamento suficiente para suspender o processo ou afastar a juíza.

Pedido ainda será julgado definitivamente

A defesa terá cinco dias para apresentar uma procuração com poderes específicos para propor a exceção de suspeição, conforme exige o Código de Processo Penal.

Sem esse documento, o pedido poderá deixar de ser analisado no mérito.

A Procuradoria-Geral de Justiça também deverá emitir parecer antes do julgamento definitivo da suspeição.

Apesar dessa pendência, o TJMT decidiu que o processo deverá continuar normalmente e que a juíza poderá praticar os atos necessários até o encerramento da ação.

Com isso, o júri de Carlinhos Bezerra permanece marcado. Caberá ao Conselho de Sentença decidir se o acusado deve ser condenado ou absolvido pelas mortes de Thays Machado e William Moreno.

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