TJ mantém penhora de imóvel de Carlinhos Bezerra para pagar mãe de Thays Machado

A 2ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) manteve a penhora de um imóvel do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, para garantir o pagamento de uma dívida de pensão com Denise Jorge Machado, mãe de Thays Machado.

A decisão foi tomada por unanimidade no último dia 19 de agosto e permite que o processo de execução volte a avançar, inclusive com atos destinados à venda judicial do imóvel.

Segundo os autos, a dívida estava calculada em R$ 51.643,62, referente a parcelas que deixaram de ser pagas a partir de dezembro de 2023, além das prestações que continuaram vencendo.

A pensão foi estabelecida no âmbito de uma ação ajuizada pela família de Thays. Em novembro de 2023, a Justiça havia fixado provisoriamente o pagamento de três salários mínimos mensais à mãe da vítima.

Defesa alegou que imóvel era bem de família

Carlinhos recorreu da penhora alegando que a residência seria seu único imóvel e que sua mãe viveria no local, motivo pelo qual o bem deveria ser protegido pelas regras de impenhorabilidade do bem de família, previstas na Lei nº 8.009/1990.

O relator, desembargador Hélio Nishiyama, não acolheu a argumentação.

Segundo a decisão, não foram apresentados documentos suficientes para comprovar que o imóvel era efetivamente utilizado como residência permanente da família.

Oficiais de Justiça estiveram no endereço em setembro de 2025 e novamente em março deste ano, mas encontraram a propriedade fechada, murada e com o portão trancado. Em uma das diligências, o interfone foi acionado, mas ninguém respondeu.

O Tribunal também destacou que não foram apresentadas contas de consumo, correspondências bancárias, documentos fiscais ou outros registros que demonstrassem que a mãe de Carlinhos morava permanentemente no imóvel.

Imóvel chegou a ser declarado como patrimônio de empresa

Outro elemento considerado pelo Tribunal foi a declaração de Imposto de Renda de Carlinhos.

Conforme o processo, na declaração referente ao exercício de 2024, o imóvel havia sido informado como incorporado ao capital social da Cosmos Consultoria e Assessoria Ltda.

Posteriormente, a declaração foi retificada e essa informação retirada. No entanto, segundo o relator, a alteração ocorreu depois da penhora e não foi suficiente para demonstrar que o imóvel tinha finalidade exclusivamente residencial.

Venda havia sido suspensa temporariamente

Em março deste ano, o próprio desembargador Hélio Nishiyama havia determinado a suspensão temporária dos atos de venda do imóvel, enquanto o recurso de Carlinhos aguardava julgamento pelo colegiado.

Na época, a propriedade foi apontada como uma mansão avaliada em cerca de R$ 7,5 milhões, no bairro Santa Rosa, em Cuiabá. A penhora, porém, já havia sido mantida.

Com o julgamento definitivo do recurso pela Câmara, o efeito suspensivo foi revogado e a execução poderá prosseguir.

Carlinhos foi condenado a 36 anos

Carlinhos Bezerra foi condenado pelo Tribunal do Júri de Cuiabá, em 31 de julho de 2026, a 36 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, pelos assassinatos de Thays Machado e Willian César Moreno.

Os dois foram mortos a tiros em janeiro de 2023, em Cuiabá. No caso de Thays, os jurados reconheceram, entre outras qualificadoras, o feminicídio.

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