A vendedora Vitória Sara Bezerra Lupatini, de 25 anos, conhecida como “Sarinha da Toyota”, teria afirmado que “não ficaria presa” durante os procedimentos realizados após o cumprimento de um mandado de prisão preventiva, na quinta-feira (27), em Sorriso.
A declaração consta em boletim de ocorrência obtido pelo VGN. Segundo o documento, a investigada teria apresentado comportamento descrito pelos policiais como “sarcástico e irônico” e argumentado que algumas providências seriam desnecessárias porque não permaneceria presa.
Apesar da fala atribuída a ela, Vitória teve o mandado cumprido e posteriormente foi encaminhada à Cadeia Pública de Colíder, onde ficou à disposição da Justiça.
Investigadores monitoraram suspeita
Vitória era considerada foragida desde a deflagração da Operação Pátio Paralelo, realizada na quarta-feira (26), em Sorriso.
De acordo com o boletim, investigadores receberam informações de que ela estaria na cidade e iniciaram diligências para localizá-la.
Veículos relacionados a familiares da investigada foram identificados próximos ao escritório de um advogado. Os policiais passaram a acompanhar a movimentação e, por volta das 15h27, Vitória foi vista deixando o local acompanhada de um advogado.
A equipe seguiu o veículo e realizou a abordagem nas proximidades da delegacia.
Na ocasião, o advogado informou aos investigadores que pretendia apresentar a cliente às autoridades. Os policiais então comunicaram Vitória sobre a ordem judicial e cumpriram o mandado de prisão preventiva.
Investigação apura esquema de R$ 50 milhões
Vitória é apontada pela Polícia Civil como uma das principais investigadas em um suposto esquema envolvendo desvio de veículos e valores de clientes de uma concessionária em Sorriso.
Segundo as investigações, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 50 milhões em apenas um ano.
A Polícia Civil identificou até agora entre 15 e 20 possíveis clientes vítimas, além da própria concessionária. O prejuízo diretamente comprovado já ultrapassa R$ 2 milhões, mas poderá aumentar com o avanço das investigações.
O esquema teria utilizado a estrutura e a credibilidade da concessionária para captar clientes interessados na compra de veículos.
Os investigados receberiam carros usados entregues como entrada na aquisição de veículos novos e, segundo a apuração, parte desses automóveis seria desviada para um circuito paralelo. Pagamentos também teriam sido direcionados para contas de pessoas físicas e jurídicas relacionadas aos investigados.
Conta pessoal teria movimentado R$ 8 milhões
Segundo a Polícia Civil, Vitória atuava como vendedora e teria participação na captação dos clientes, condução das negociações, recebimento dos veículos usados, indicação das contas para pagamentos e movimentação dos recursos.
Uma conta bancária pessoal atribuída à investigada teria movimentado aproximadamente R$ 8 milhões durante o período de um ano analisado pela polícia.
A Justiça determinou ainda medidas como quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados, além de bloqueio de ativos e indisponibilidade patrimonial de até R$ 2 milhões.
A investigação apura possíveis crimes de associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro.
A defesa de Vitória informou que pretende pedir habeas corpus e que a investigada permanecerá em silêncio durante o interrogatório.
As acusações ainda estão sob investigação e não há condenação no caso.







