Novas imagens de câmeras de segurança revelam momentos que antecederam a morte da tangaraense Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, assassinada dentro de casa em 24 de junho de 2025, em Lucas do Rio Verde.
Os registros foram divulgados pelo advogado Rodrigo Pouso Miranda, que representa familiares da vítima, e mostram discussões entre Gleici e o marido, o engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, nos dias anteriores ao crime.
Daniel é acusado de matar a esposa a facadas e também de atacar a filha do casal, que tinha 7 anos na época. A criança sobreviveu após ficar 22 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Discussões ocorreram antes do crime
Nas gravações divulgadas, Gleici e Daniel aparecem discutindo em diferentes momentos.
Segundo o advogado da família, parte dos desentendimentos estava relacionada a dinheiro e aos bens do casal.
Em uma das cenas, uma familiar tenta acalmar Daniel durante uma discussão.
O material também apresenta uma mensagem que teria sido enviada pela irmã dele a Gleici antes do crime. No texto, ela orienta a vítima a esconder as facas da residência por estar preocupada com o comportamento do irmão.
Para a assistência de acusação, as imagens e mensagens podem contribuir para demonstrar que havia sinais anteriores de risco. Essa interpretação, no entanto, ainda deverá ser analisada no processo judicial.
Câmera registra momento em que homem pega faca
Na manhã de 24 de junho, as câmeras registraram Daniel caminhando por diferentes ambientes da residência.
Em determinado momento, ele entra na cozinha, pega uma faca e segue em direção ao quarto onde Gleici estava.
Depois, o engenheiro aparece novamente na área comum da casa com sangue nas mãos e nos braços.
A filha do casal também foi atacada enquanto estava na residência. A menina sofreu ferimentos graves, foi socorrida e posteriormente transferida para Cuiabá, onde permaneceu 22 dias internada em UTI.
Após o ataque, familiares chegaram ao imóvel e prestaram auxílio à criança.
Laudo de insanidade é contestado pela família
Daniel foi submetido a exame de insanidade mental. Um laudo elaborado pela Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec) apontou que ele poderia ser considerado inimputável no momento do crime.
Na legislação penal, a inimputabilidade pode ser reconhecida quando a pessoa, em razão de doença ou transtorno mental, não possuía capacidade de compreender o caráter ilícito do fato ou de agir de acordo com esse entendimento.
A conclusão pericial é contestada pelos familiares de Gleici.
O advogado Rodrigo Pouso afirma que a divulgação das imagens busca demonstrar que o comportamento registrado antes do crime deve ser considerado pela Justiça na análise sobre a capacidade de Daniel de compreender os próprios atos.
A defesa da família pretende que o caso seja submetido ao Tribunal do Júri.
Crime ocorreu em junho de 2025
Gleici Keli foi morta na manhã de 24 de junho de 2025, dentro da residência da família, em Lucas do Rio Verde.
Na ocasião, Daniel foi encontrado ferido dentro do imóvel após também atingir a si próprio. Ele recebeu atendimento médico e ficou sob custódia.
A Polícia Civil abriu investigação sobre o feminicídio e a tentativa de homicídio contra a criança.
As novas imagens agora passam a integrar o debate judicial sobre as circunstâncias que antecederam o crime e sobre a condição mental do acusado no momento dos fatos.






