O Ministério Público Federal (MPF) decidiu manter em Campinas, no interior de São Paulo, uma investigação sobre um suposto esquema de comercialização clandestina de mercúrio envolvendo empresas ligadas ao chamado Grupo Veggi, relacionado ao ex-vereador de Cuiabá Arnoldo da Silva Veggi, o Dodo Veggi.
A decisão foi tomada por unanimidade pela 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF e mantém a Procuradoria da República em Campinas responsável pelo inquérito civil.
O procedimento faz parte dos desdobramentos da Operação Hermes, que investiga a introdução, circulação e comercialização irregular de mercúrio destinado principalmente a garimpos da Amazônia Legal.
Empresa seria utilizada como fachada
Um dos principais pontos da investigação envolve a empresa J.S. Torres, registrada formalmente no município de Terenos, em Mato Grosso do Sul.
Segundo os elementos reunidos pelos investigadores, a empresa teria funcionado como fachada para movimentações relacionadas ao comércio de mercúrio.
A apuração indica que o endereço formalmente registrado teria sido utilizado como domicílio empresarial sem que a operação real da companhia ocorresse efetivamente naquele local.
Documentos judiciais apontam ainda que acessos feitos com credenciais da J.S. Torres no sistema utilizado para controle de mercúrio metálico ocorreram a partir de computadores localizados em Mato Grosso.
Empresas compartilhariam estrutura
Segundo o MPF, a J.S. Torres apresentaria conexões operacionais com outras empresas investigadas.
Entre os elementos identificados estão compartilhamento de endereços de e-mail, registros de IP e estruturas administrativas relacionadas a empresas como ADMF, Quimar, Hiposal e BDV Trading.
Para os investigadores, esses elementos indicariam que a empresa formalmente localizada em Mato Grosso do Sul estaria integrada ao núcleo empresarial investigado na Operação Hermes.
Investigação aponta ligação com ex-vereador
Os elementos da apuração relacionam o núcleo de gestão do grupo a Arnoldo da Silva Veggi, ex-vereador de Cuiabá, e integrantes de sua família.
Conhecido como Dodo Veggi, Arnoldo já é réu em ações penais decorrentes da Operação Hermes, juntamente com outros empresários e investigados.
A Justiça Federal recebeu em agosto novas denúncias apresentadas pelo MPF contra pessoas acusadas de participação na estrutura de importação, transporte e venda clandestina de mercúrio.
Caso tem ligação direta com Cuiabá
O procedimento também apresenta conexões com Mato Grosso.
Segundo o MPF, uma das possíveis fraudes envolvendo documentos e operações comerciais teria ocorrido em Cuiabá e estaria relacionada à empresa N.C.L.
Apesar dessa ligação, a 4ª Câmara considerou mais adequado manter o inquérito em Campinas.
O entendimento foi de que os possíveis danos ambientais ultrapassam as fronteiras de um único Estado e que a Procuradoria paulista já reúne outras investigações e provas relacionadas ao núcleo central da Operação Hermes.
Mercúrio teria como destino garimpos da Amazônia
As investigações apontam que o mercúrio comercializado irregularmente teria como destino principalmente garimpos da Amazônia Legal, onde o metal é utilizado no processo de separação do ouro.
Em uma das frentes criminais da Operação Hermes, o MPF afirma que um grupo de investigados teria comercializado aproximadamente 5,4 toneladas de mercúrio entre 2019 e 2022, obtendo lucro superior a R$ 5 milhões.
O mercúrio é uma substância altamente tóxica e seu uso irregular em atividades de mineração pode provocar contaminação de rios, peixes, solo e populações expostas.
As investigações relacionadas ao Grupo Veggi envolvem suspeitas de contrabando, falsificação de documentos, lavagem de dinheiro, fraudes em sistemas ambientais e outros crimes.
Os investigados têm direito à defesa, e as acusações e suspeitas ainda dependem de julgamento definitivo.






