Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, foi capturada nesta terça-feira (22), em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, cerca de 13 meses após fugir de uma penitenciária em Cuiabá.
Ela é apontada pela Polícia Civil como uma das lideranças do Comando Vermelho com atuação no extremo norte de Mato Grosso, especialmente na região de Alta Floresta. Contra a foragida havia seis mandados de prisão em aberto.
A captura foi resultado de uma ação conjunta da Polícia Civil de Mato Grosso com autoridades policiais bolivianas, após trabalho de investigação e intercâmbio de informações entre as forças de segurança dos dois países.
Fuga ocorreu em agosto de 2025
“Angeliquinha” estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando escapou da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
Na ocasião, ela fugiu acompanhada de Jéssica Leal da Silva, conhecida como “Arlequina”. Após a fuga, a Secretaria de Estado de Justiça anunciou uma investigação interna para apurar como as duas conseguiram deixar a unidade prisional.
Segundo a Polícia Civil, Angélica acumula condenações que ultrapassam 260 anos de prisão por diferentes crimes, entre eles homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa.
Polícia aponta influência no norte de Mato Grosso
As investigações apontam que Angélica exercia influência sobre atividades criminosas em Alta Floresta e municípios da região.
Além da atuação relacionada ao tráfico de drogas, a Polícia Civil investiga possíveis vínculos da foragida com extorsões e outras atividades ilícitas em áreas de garimpo no norte do Estado.
Ao longo de 2026, enquanto permanecia foragida, seis novos mandados de prisão foram expedidos contra ela.
Família foi alvo de operação
Em março deste ano, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown, que atingiu pessoas apontadas como integrantes ou apoiadores do grupo investigado.
O pai, a filha e o genro de “Angeliquinha” estavam entre os alvos. Segundo os investigadores, pessoas ligadas ao grupo teriam movimentado mais de R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses.
A Polícia Civil considerou a movimentação incompatível com a renda declarada e passou a investigar a possível utilização de empresas e outros negócios para dar aparência de legalidade ao dinheiro.
A Operação Showdown cumpriu 31 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão e busca, bloqueios de contas e sequestro de bens. As medidas foram autorizadas pela 5ª Vara Criminal de Sinop.
O grupo também é investigado por possível envolvimento em atividades de garimpo irregular nas regiões de Alta Floresta e Nova Bandeirantes.
Com a captura em território boliviano, Angélica volta a ficar à disposição das autoridades para o cumprimento das decisões judiciais existentes contra ela.







