A Bolsa brasileira caminha para encerrar a primeira semana após o segundo turno presidencial com o pior desempenho registrado nesse período desde 1989.
O Ibovespa sofreu uma forte correção depois da eleição e devolveu boa parte dos ganhos acumulados durante as semanas anteriores à votação.
Na segunda-feira (26), primeiro pregão após o segundo turno, o índice caiu 13,88% e fechou aos 176.608 pontos.
No mesmo dia, o dólar avançou 8,21% e terminou cotado a aproximadamente R$ 5,40.
Bolsa chegou à eleição perto de recordes
Antes do resultado eleitoral, o mercado brasileiro vinha registrando forte valorização.
Entre o último pregão antes do primeiro turno e a sexta-feira anterior ao segundo turno, o Ibovespa avançou 6,75%.
O índice saiu de aproximadamente 192 mil pontos e chegou a 205.082 pontos.
Durante o período, investidores ampliaram posições em empresas mais sensíveis aos juros, como varejistas, construtoras, bancos e companhias de consumo.
Resultado contrariou posições montadas pelo mercado
Segundo analistas ouvidos pela Exame e pelo SBT News, parte dos investidores havia passado a precificar uma possibilidade elevada de mudança no comando do governo.
Com a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, muitas dessas posições foram desmontadas rapidamente.
Esse movimento ampliou a pressão sobre as ações.
Especialistas destacam que a intensidade da queda também está relacionada à valorização registrada antes da eleição.
Assim, parte do movimento representa uma correção das expectativas que haviam sido incorporadas aos preços.
Circuit breaker foi acionado
A queda da segunda-feira foi tão intensa que a B3 precisou acionar o circuit breaker.
O mecanismo interrompe temporariamente as negociações quando o mercado registra movimentos extremos.
Foi a primeira utilização desse instrumento desde março de 2020, período marcado pela crise provocada pela pandemia.
Setores como bancos, consumo, imóveis e empresas de menor valor de mercado registraram algumas das maiores perdas.
Índice perdeu cerca de 17,5% após eleição
Na quinta-feira (29), o Ibovespa caiu mais 1,06% e encerrou o pregão aos 169.186 pontos.
Com isso, o índice acumulava perda aproximada de 17,5% em relação ao fechamento anterior ao segundo turno.
Mesmo depois dessa correção, dados da B3 indicavam que o Ibovespa ainda acumulava valorização no ano de 2026.
Juros e dólar entram no radar
Além da Bolsa, investidores passaram a acompanhar com atenção o comportamento do dólar e dos juros futuros.
Quando as taxas futuras sobem, o custo de financiamento das empresas aumenta.
Isso pode afetar investimentos, crédito imobiliário, consumo e capital de giro.
O dólar mais valorizado também pode pressionar preços de produtos importados e insumos utilizados pela indústria.
Mercado aguarda sinais da política econômica
Agora, investidores acompanham principalmente os primeiros sinais do governo para 2027.
Entre os pontos observados estão a definição da equipe econômica, medidas relacionadas às contas públicas, o Orçamento do próximo ano e as decisões do Banco Central.
Analistas ressaltam que a reação observada nesta semana representa uma reprecificação de ativos diante do novo cenário.
A movimentação do mercado, por si só, não permite determinar como a economia ou a Bolsa se comportarão ao longo do próximo mandato.






