Governo chama embaixador na Argentina após ataques de Milei a Lula e Moraes

Foto: Reprodução

O Governo Federal chamou o embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, de volta a Brasília para consultas após declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra autoridades brasileiras.

Os ataques ocorreram durante a convenção nacional do Partido Liberal, realizada no sábado (25), em São Paulo. O evento oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

Durante o discurso, Milei fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao Governo Federal e ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

As declarações foram consideradas pelo governo brasileiro uma afronta direta às autoridades e às instituições nacionais.

A decisão de chamar Julio Bitelli para consultas foi tomada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, após tratar do assunto com o presidente Lula.

A medida não representa o rompimento das relações diplomáticas. Trata-se de um instrumento utilizado para demonstrar insatisfação e avaliar os próximos passos do Brasil na relação com a Argentina.

Embaixador argentino também foi convocado

Além de chamar o representante brasileiro que atua em Buenos Aires, o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi.

Durante o encontro, o representante argentino recebeu formalmente a manifestação de repúdio do governo brasileiro às declarações feitas por Milei em território nacional.

O Itamaraty classificou os ataques contra autoridades e instituições brasileiras como inaceitáveis.

As duas medidas possuem funções diferentes. Julio Bitelli foi chamado a Brasília para prestar informações e participar de consultas internas, enquanto Daniel Raimondi foi convocado pelo governo brasileiro para receber a reclamação diplomática.

Milei participou da convenção do PL

Javier Milei viajou a São Paulo para participar da convenção que lançou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência nas eleições de 2026.

O presidente argentino reforçou durante o evento sua aproximação com o grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro e defendeu uma articulação de forças conservadoras na América Latina.

Milei também pretendia visitar Jair Bolsonaro, mas o encontro não foi autorizado pela Justiça.

Após a decisão, o presidente argentino fez novos ataques ao ministro Alexandre de Moraes, responsável por processos envolvendo o ex-presidente.

O episódio ampliou a tensão diplomática entre Brasil e Argentina, países que mantêm uma das principais relações comerciais e políticas da América do Sul.

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