A direção do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé, no norte do Paraná, foi afastada após a descoberta de uma câmera instalada no banheiro feminino da instituição.
A medida foi determinada pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná depois que uma aluna encontrou o equipamento e o caso passou a ser investigado.
O afastamento foi confirmado pelo secretário estadual de Educação, Roni Miranda.
Segundo ele, a instalação de câmeras dentro de banheiros não é aceitável e motivou a adoção imediata de medidas administrativas.
Aluna encontrou equipamento atrás de plástico
A denúncia ocorreu na segunda-feira (19).
Uma estudante percebeu um equipamento instalado na parede do banheiro feminino.
Segundo a apuração, o dispositivo emitia uma luz vermelha e estava escondido atrás de um plástico.
Após a descoberta, outras estudantes relataram que sabiam da existência de um aparelho no local havia cerca de três anos.
Na época, segundo elas, a explicação dada pela direção era de que o equipamento funcionava como um sensor de fumaça para evitar que alunos fumassem dentro do banheiro.
Secretaria afasta direção
Após o caso ganhar repercussão, a Secretaria de Educação determinou o afastamento da direção da escola.
O secretário Roni Miranda afirmou que a própria localização do equipamento justificava a medida.
A pasta também anunciou uma resolução para proibir expressamente a instalação de câmeras em banheiros e vestiários de instituições estaduais.
A norma busca reforçar a proteção à privacidade de estudantes e servidores.
Escola diz que câmera filmava apenas entrada
Em nota, o colégio afirmou que as câmeras estavam direcionadas apenas para as portas de entrada dos banheiros masculino e feminino.
Segundo a instituição, os equipamentos não registravam áreas destinadas às necessidades fisiológicas dos estudantes.
A direção também afirmou que o sistema fazia parte das medidas de segurança da escola.
Essa versão ainda é objeto de apuração.
Equipamentos foram retirados
O Núcleo Regional de Educação de Londrina confirmou a existência das câmeras.
Após a denúncia, os equipamentos foram retirados da unidade.
Pais e alunos também realizaram uma manifestação na entrada do colégio para cobrar explicações sobre o caso.
A Secretaria de Educação informou que acompanha a situação e que novas medidas poderão ser adotadas após a conclusão da apuração.
Polícia Civil investiga o caso
A Polícia Civil do Paraná abriu investigação para esclarecer as circunstâncias da instalação dos equipamentos.
Entre os pontos que deverão ser apurados estão o posicionamento das câmeras, o período em que permaneceram instaladas e se houve armazenamento ou acesso a imagens.
Até o momento, não há confirmação pública de que tenham sido gravadas imagens íntimas dos estudantes.
A investigação deverá definir se houve irregularidade administrativa ou eventual responsabilidade criminal.






