Polícia investiga suposto esquema de corrupção em hospital de Campo Novo do Parecis

Foto: Reprodução

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Silêncio Comprado para apurar um suposto esquema de corrupção ligado à gestão do Hospital Municipal Euclides Horst, em Campo Novo do Parecis.

A ação é conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção, a Deccor, e cumpre 20 ordens judiciais. Entre as medidas estão mandados de busca e apreensão, sequestro de bens, bloqueio de valores, medidas cautelares diversas da prisão e quebras de sigilo telefônico e telemático.

As ordens foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo Tangará da Serra. Os mandados são cumpridos em Campo Novo do Parecis, Arenápolis e também nas cidades paulistas de Barueri e Cotia.

A investigação teve início após denúncia encaminhada pelo Ministério Público de Mato Grosso. Segundo a Polícia Civil, a denúncia apontou uma suposta oferta de vantagem indevida para influenciar os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito nº 01/2025, instaurada para apurar possíveis irregularidades na gestão do hospital.

A CPI surgiu após questionamentos envolvendo o atendimento prestado na unidade hospitalar, especialmente depois da morte de uma jovem gestante do município. Ela teria apresentado complicações durante um parto cesáreo, foi transferida para Cuiabá e morreu posteriormente.

A partir do caso, familiares e moradores passaram a questionar a estrutura do hospital, a prestação dos serviços, a gestão de recursos humanos e a execução dos contratos relacionados à unidade.

Além da suspeita de interferência na CPI, a Deccor apura indícios de pagamentos por serviços supostamente não prestados, emissão de notas fiscais fraudulentas ou ideologicamente falsas, movimentação irregular de recursos públicos e possível desvio de valores ligados à administração do hospital.

De acordo com a Polícia Civil, os elementos reunidos até o momento indicam, em tese, crimes contra a Administração Pública, especialmente corrupção ativa. Outros delitos ainda poderão ser identificados no decorrer das investigações.

A operação contou com apoio da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários, da Delegacia de Arenápolis, da Delegacia de Campo Novo do Parecis e da Polícia Civil de São Paulo.

O nome “Silêncio Comprado” faz referência à suspeita de tentativa de compra de influência sobre os trabalhos da CPI. A ação também integra a Operação Pharus, planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso voltado ao combate à atuação de grupos criminosos no Estado.

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