Governo manda recolher delegados cedidos e medida é vista como reação a investigações de Mendonça

Foto: STF

O Ministério da Justiça enviou ofícios solicitando o retorno de policiais federais cedidos a outros órgãos públicos. A medida, assinada pelo secretário-executivo da pasta, Ademar Borges, gerou repercussão nos bastidores de Brasília por ocorrer em meio ao avanço de investigações conduzidas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Os documentos foram enviados na quarta-feira (17) e pedem que órgãos cessionários adotem providências administrativas para o retorno dos servidores às carreiras de origem.

A justificativa oficial do governo é reforçar o efetivo das atividades finalísticas de segurança pública, especialmente no enfrentamento ao crime organizado. A orientação segue uma diretriz anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril.

Na ocasião, Lula afirmou que havia determinado ao Ministério da Justiça a convocação de delegados e agentes da Polícia Federal que estavam cedidos a outros órgãos.

“Eu mandei o ministro da Justiça fazer uma nota convidando todos os delegados da Polícia Federal que estão fora da Polícia Federal. Só vai ficar fora aqueles que forem secretários de Estado”, declarou o presidente em 23 de abril.

A fala gerou reação por outro trecho em que Lula afirmou que servidores cedidos estariam “fingindo trabalhar” e deveriam voltar para atuar no combate ao crime organizado.

Apesar da justificativa administrativa, a medida passou a ser vista por integrantes da Polícia Federal e do Judiciário como uma possível reação a investigações sob responsabilidade de André Mendonça.

Entre os casos conduzidos pelo ministro estão apurações sobre fraudes no INSS e o caso Banco Master. As investigações atingiram pessoas próximas ao governo, incluindo citação a Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, no caso INSS, e operação contra o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, no caso Banco Master.

Um dos nomes citados no contexto é o delegado da Polícia Federal Thiago Marcantonio Ferreira, que atua como assessor no gabinete de Mendonça desde 2025 e auxilia o ministro em decisões ligadas aos dois casos.

Após a repercussão, foi informado que o Ministério da Justiça decidiu não incluir o Supremo Tribunal Federal entre os órgãos obrigados a devolver delegados da Polícia Federal neste momento. A exceção foi tratada como temporária e teria o objetivo de evitar prejuízo a investigações em andamento.

O governo sustenta que o processo de retorno dos servidores começou no fim de abril e faz parte de uma política de recomposição do efetivo da segurança pública. Até o momento, não há documento público que comprove motivação específica contra investigações conduzidas por Mendonça.

Mesmo assim, a coincidência temporal entre o envio dos ofícios e o avanço das apurações envolvendo figuras próximas ao governo ampliou a pressão política sobre o caso.

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