Impacto Geral

Desenrola cumpre parte das metas, mas número de inadimplentes bate recorde no Brasil

Foto: Joedson Alves/Agência Brasil

Os programas de renegociação de dívidas do governo federal ampliaram o número de acordos e permitiram que milhões de brasileiros renegociassem débitos. Mesmo assim, o país chegou a 2026 com número recorde de consumidores inadimplentes.

Dados da Serasa mostram que o Brasil alcançou 83,98 milhões de pessoas com contas em atraso em agosto.

O resultado evidencia que, embora iniciativas como o Desenrola tenham facilitado renegociações, o problema do endividamento das famílias permanece elevado.

Renegociações cresceram

Entre maio e agosto de 2026, a Serasa registrou 19,7 milhões de acordos de renegociação de dívidas.

O volume representa crescimento de 36% em relação ao mesmo período de 2025.

O número de consumidores que buscaram regularizar pendências também aumentou, passando de 7,1 milhões para 9,4 milhões.

Além disso, o ritmo mensal de crescimento da inadimplência desacelerou durante o período.

Primeira edição alcançou milhões

Na primeira edição do Desenrola Brasil, iniciada em 2023, cerca de 15 milhões de pessoas renegociaram aproximadamente R$ 53,2 bilhões em dívidas.

Os descontos chegaram, em alguns casos, a 90%.

O governo lançou novas versões do programa em 2026 e ampliou o alcance para outros grupos de consumidores.

A terceira etapa foi instituída em setembro e tem previsão de funcionamento até junho de 2028.

Inadimplência continua em nível recorde

Apesar das renegociações, a quantidade de brasileiros negativados continuou crescendo.

Em julho, eram 83,9 milhões de inadimplentes.

Em agosto, o número subiu para 83,98 milhões.

A soma das dívidas em atraso alcançava centenas de bilhões de reais.

Portanto, o crescimento dos acordos ainda não foi suficiente para provocar uma redução significativa do estoque total de inadimplentes.

Juros e renda pressionam famílias

O cenário não depende apenas das políticas de renegociação.

Dados do Banco Central mostram que a inadimplência no sistema financeiro atingiu níveis históricos em 2026.

Em maio, 4,7% do crédito do Sistema Financeiro Nacional apresentava atraso superior a 90 dias.

Ao mesmo tempo, o endividamento das famílias permanecia próximo de 49,8% da renda disponível.

Juros elevados, inflação, custo de vida e comprometimento da renda ajudam a explicar por que muitas famílias continuam com dificuldades para pagar suas contas.

Desenrola não resolve sozinho problema estrutural

O Desenrola pode reduzir juros, conceder descontos e facilitar o pagamento de dívidas antigas.

Entretanto, o programa não elimina fatores que levam consumidores a contrair novos débitos.

Por isso, especialistas defendem que políticas de renegociação sejam acompanhadas por medidas de educação financeira, crédito responsável e melhora da renda das famílias.

Governo amplia programa

Em setembro, o governo criou o Desenrola Brasil 3.0.

A nova modalidade permite que a União adquira carteiras de créditos inadimplidos com descontos elevados para facilitar futuras renegociações.

O programa deverá permanecer em vigor até junho de 2028.

A eficácia da nova fase dependerá não apenas do número de acordos fechados, mas também da capacidade de evitar que consumidores voltem a ficar inadimplentes após a renegociação.

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