A Justiça de Mato Grosso negou, por enquanto, a desinternação de Lumar Costa da Silva, responsável pela morte da própria tia, Maria Zélia da Silva, de 55 anos, em Sorriso, em 2019.
Lumar permanece internado no Centro Integrado de Assistência Psicossocial (Ciaps) Adauto Botelho, em Cuiabá, enquanto aguarda uma nova perícia oficial para avaliar se houve cessação da periculosidade.
A decisão foi proferida pela juíza Caroline Schneider Guanaes Simões, da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, no dia 2 de setembro.
Hospital recomendou desinternação
Um relatório elaborado pela equipe multiprofissional do Adauto Botelho apontou que Lumar apresenta estabilidade clínica, está lúcido, orientado e cooperativo, além de não demonstrar atualmente sintomas psicóticos agudos ou comportamento agressivo.
Com base nessa avaliação, a equipe médica recomendou a possibilidade de continuidade do tratamento em regime ambulatorial.
A Justiça, porém, considerou que a estabilidade apresentada dentro de uma unidade hospitalar, onde há acompanhamento constante e controle da medicação, não é suficiente, isoladamente, para concluir que ele não representa mais risco fora desse ambiente.
Politec fará novo exame
A magistrada determinou que a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) realize, com prioridade, um exame de cessação de periculosidade.
O objetivo é avaliar tecnicamente se Lumar possui condições de voltar ao convívio social e continuar o tratamento fora da unidade psiquiátrica.
O Adauto Botelho também deverá encaminhar o prontuário atualizado do paciente, incluindo informações sobre evolução comportamental, diagnóstico, acompanhamento psiquiátrico e medicações utilizadas.
Após a apresentação do laudo, Ministério Público e Defensoria Pública poderão se manifestar antes de uma nova decisão.
Primeira desinternação foi revogada
Lumar já havia recebido autorização para deixar a internação em junho de 2025.
Na época, ele passou a cumprir tratamento ambulatorial intensivo em Campinas, São Paulo, sob acompanhamento do pai.
Menos de cinco meses depois, porém, chegaram à Justiça informações de que ele teria apresentado comportamento ameaçador e se envolvido em um suposto episódio de violência doméstica.
O caso resultou em medidas protetivas concedidas pela Justiça paulista e na abertura de investigação.
Diante da situação e de questionamentos sobre a continuidade adequada do tratamento e do uso das medicações, a desinternação foi revogada em novembro de 2025. Lumar retornou ao Adauto Botelho no mês seguinte.
Crime ocorreu em Sorriso
O caso que levou à medida de segurança ocorreu em 2 de julho de 2019, em Sorriso.
Lumar matou a tia, Maria Zélia da Silva, de 55 anos, a facadas dentro da residência dela. Após o crime, ele retirou o coração da vítima e deixou o local.
O episódio teve grande repercussão em Mato Grosso.
Posteriormente, avaliações de sanidade mental concluíram que Lumar era inimputável no momento dos fatos, ou seja, não possuía capacidade plena de compreender o caráter ilícito da própria conduta.
Por isso, ele não foi condenado a uma pena de prisão comum. A Justiça determinou uma medida de segurança com internação psiquiátrica, que pode ser revista mediante avaliação sobre a cessação da periculosidade.
Até que a nova perícia seja concluída e analisada judicialmente, Lumar continuará internado no Adauto Botelho.






