Mato Grosso encerrou a safra 2025/26 de milho com um novo recorde de produtividade e produção. Segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o Estado alcançou média de 130,11 sacas por hectare, resultado superior às 127,01 sacas por hectare utilizadas pelo instituto na comparação com a Argentina.
A produção mato-grossense chegou a 58,04 milhões de toneladas, crescimento de 4,69% sobre as 55,43 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior.
Estado produziu mais com área menor
A área cultivada com milho em Mato Grosso ficou em 7,43 milhões de hectares na safra 2025/26, aumento de 2,41% em relação ao ciclo anterior.
Na base de comparação utilizada pelo Imea, a Argentina aparece com aproximadamente 8,40 milhões de hectares.
Isso significa que Mato Grosso cultivou cerca de 970 mil hectares a menos e, ainda assim, registrou rendimento médio superior por hectare.
A produtividade estadual passou de 127,27 sacas por hectare na safra anterior para 130,11 sacas na atual, avanço de 2,23%.
Produção chega a 58 milhões de toneladas
Com o aumento combinado da área e da produtividade, Mato Grosso alcançou 58,04 milhões de toneladas de milho.
Pela projeção argentina utilizada na comparação do Imea, de 64 milhões de toneladas, a produção mato-grossense equivale a aproximadamente 90,7% do volume do país vizinho.
A comparação reforça o crescimento da importância de Mato Grosso no mercado mundial do cereal.
É importante observar, entretanto, que existem diferentes estimativas para a produção argentina. Dados oficiais divulgados pelo governo do país em julho apontavam uma safra maior, de 71,5 milhões de toneladas, utilizando também uma metodologia diferente para a área cultivada.
Tecnologia e clima ajudaram produtividade
Segundo o Imea, o resultado recorde não está ligado a apenas um fator.
O desempenho das lavouras foi favorecido pela consolidação do milho segunda safra, cultivado principalmente após a colheita da soja, permitindo maior aproveitamento das propriedades ao longo do ano.
Também tiveram peso a adoção de sementes de maior potencial produtivo, biotecnologia, melhorias no manejo da fertilidade do solo, adubação e estratégias para realizar o plantio dentro da melhor janela possível.
As condições climáticas da safra 2025/26 também ajudaram. A permanência das chuvas em importantes regiões produtoras favoreceu o desenvolvimento das lavouras e o enchimento dos grãos.
Milho deixa de ser apenas segunda opção
Para o analista de milho do Imea Gabriel Brandão, o crescimento mostra uma mudança estrutural na produção estadual.
O cereal, tradicionalmente plantado após a soja, ganhou importância econômica e passou a ocupar posição estratégica dentro do planejamento das propriedades rurais.
O aumento da produtividade permite ampliar a oferta sem depender exclusivamente da abertura de novas áreas agrícolas.
Próxima safra deve ter produtividade menor
Apesar do recorde, as primeiras projeções para 2026/27 indicam um cenário mais conservador.
O Imea estima que a área de milho cresça 0,59%, chegando a 7,48 milhões de hectares.
Já a produtividade inicial é projetada em 119,64 sacas por hectare, queda de 8,05% em relação ao recorde de 2025/26.
Com isso, a produção poderá recuar para 53,68 milhões de toneladas, redução de aproximadamente 7,5%.
Entre os fatores de risco estão possíveis alterações no regime climático, atraso no plantio da soja — que reduz a janela do milho segunda safra — e eventual ocorrência de temperaturas elevadas e encerramento antecipado das chuvas.






