As declarações do deputado federal Juarez Costa (Republicanos-MT) sobre seu patrimônio voltaram ao debate público após falas em que o parlamentar citou veículos de luxo, negociações frequentes de automóveis e um apartamento em Balneário Camboriú, em Santa Catarina.
O assunto ganhou novo destaque em meio a questionamentos relacionados a uma delação envolvendo o processo de concessão dos serviços de água e esgoto de Sinop, município localizado a 480 km de Cuiabá. O caso segue sob apuração das autoridades.
Em entrevistas concedidas em diferentes momentos, Juarez afirmou que sempre teve o hábito de negociar veículos. Segundo ele, antes mesmo da vida pública, já costumava trocar de carro com frequência.
“Não tem ninguém que me vê ficar mais de três ou quatro meses com um carro, porque eu gosto de fazer isso. Eu faço rolo de carro sempre”, declarou.
Mais recentemente, ao comentar suspeitas relacionadas ao seu patrimônio, o deputado disse, em tom de ironia, que já teve oito BMWs ao longo da vida.
“Quem recebe R$ 30 milhões vai se preocupar com a BMW? Dá para comprar quantas? Eu tive oito. Será que é uma dessas oito?”, afirmou.
Apesar das declarações, os veículos citados pelo parlamentar não aparecem nas declarações patrimoniais mais recentes apresentadas à Justiça Eleitoral. Em 2018, Juarez informou ao Tribunal Superior Eleitoral três veículos: um Volkswagen Passat 2.0, ano 2007/2008, avaliado em R$ 130 mil; um CrossFox 2007, declarado em R$ 42 mil; e um Gol 1.8, ano 2000, avaliado em R$ 18 mil.
Já na declaração apresentada nas eleições de 2022, não consta nenhum veículo registrado em nome do deputado. No mesmo período, o patrimônio declarado por Juarez passou de R$ 623.300,80 para R$ 2.231.976,23, aumento de R$ 1.608.675,43, o que representa crescimento de 258,09%.
Outro ponto mencionado pelo próprio parlamentar é um apartamento em Balneário Camboriú. Em entrevista nesta semana, Juarez afirmou que o imóvel está em seu nome e ainda possui parcelas pendentes de financiamento.
“Eu tenho meu apartamento em Camboriú, está no meu nome, tem ainda que pagar. Quero saber se eles querem pagar o resto que falta pagar do meu apartamento”, disse.
A referência ao imóvel chamou atenção porque o bem não aparece de forma identificável nas declarações patrimoniais divulgadas pela Justiça Eleitoral. A situação levanta questionamentos sobre a forma como o imóvel teria sido declarado, sua classificação patrimonial ou eventual atualização das informações prestadas.
Levantamento citado pela reportagem em bases de registros veiculares apontou atualmente apenas dois bens vinculados ao nome do deputado: um semirreboque Presidente Tra Carga e um reboque Montana A500.
A diferença entre os veículos mencionados por Juarez, os bens declarados à Justiça Eleitoral e os registros localizados não configura, por si só, irregularidade. Veículos podem ter sido vendidos, transferidos, financiados ou alienados antes das datas de referência das declarações eleitorais.
Mesmo assim, as falas do parlamentar alimentam questionamentos sobre a evolução de seu patrimônio e sobre a relação entre os bens citados publicamente e aqueles oficialmente informados à Justiça Eleitoral.
Juarez nega qualquer irregularidade, atribui as denúncias a adversários políticos e afirma que todas as suas aquisições têm origem lícita e podem ser comprovadas por documentos.
A reportagem informou que tentou contato com o deputado federal, mas ele não respondeu ligações nem mensagens enviadas até a publicação.






