Impacto Geral

PF diz que Vorcaro teve acesso antecipado a informações sigilosas antes de operação que resultou em sua prisão

Foto: Reprodução Material de referência geográfica

Documentos da Polícia Federal apontam que o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, teve acesso antecipado a informações sigilosas sobre a investigação que precedeu a primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025.

Segundo os investigadores, antes da ação policial Vorcaro já sabia da existência do inquérito e possuía informações sobre a vara responsável, o juiz e integrantes da equipe que conduzia a apuração.

Os elementos constam de documentos da PF que tiveram o sigilo levantado no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.

Vorcaro tinha nomes de investigadores

Um dos pontos destacados pela Polícia Federal ocorreu em outubro de 2025.

No dia 17 daquele mês, integrantes da PF e do Banco Central participaram de uma reunião reservada para discutir as apurações envolvendo o Master.

Quatro dias depois, em 21 de outubro, Vorcaro registrou no aplicativo de notas do celular nomes completos de delegados, agentes da Polícia Federal e procuradores que atuavam na investigação.

Para a PF, o episódio é um dos indícios de que informações protegidas por sigilo chegaram antecipadamente ao então banqueiro.

Em 30 de outubro, outra anotação encontrada no aparelho mencionava informações atribuídas a pessoas de dentro do Banco Central que seriam próximas a Vorcaro. No texto, ele indicava confiar nas informações e demonstrava preocupação em não revelar as supostas fontes.

Nome do juiz apareceu no celular antes da operação

Os investigadores também encontraram registros relacionados ao Poder Judiciário.

No dia 16 de novembro, dois dias antes da deflagração da operação, Vorcaro anotou o nome de Ricardo Augusto Soares Leite, juiz da 10ª Vara Federal Criminal de Brasília, que conduzia as medidas cautelares sigilosas da investigação.

Em uma anotação encontrada no telefone, Vorcaro questionava se determinado interlocutor tinha proximidade com o magistrado.

A descoberta é relevante porque, naquele momento, a investigação tramitava sob sigilo.

Mensagens mostram preocupação com possível prisão

Outras mensagens analisadas pela PF mostram que Vorcaro estava preocupado com a possibilidade de medidas mais duras contra ele.

Em conversa atribuída ao ex-banqueiro com o ministro Alexandre de Moraes, Vorcaro chegou a perguntar se deveria deixar o país e mencionou o juiz responsável pelo caso.

A Polícia Federal conseguiu recuperar principalmente mensagens produzidas por Vorcaro. Parte das respostas do interlocutor teria sido enviada como conteúdo de visualização única, impossibilitando a reconstrução completa das conversas.

Por isso, os registros precisam ser analisados dentro dessa limitação técnica e não permitem, isoladamente, concluir todo o conteúdo dos diálogos.

PF interpreta viagem como tentativa de fuga

Na manhã de 17 de novembro, um dia antes da operação, a movimentação de Vorcaro se intensificou.

Segundo os documentos, ele recebeu mensagens de seu advogado, buscou informações sobre o processo e organizou uma viagem internacional. Na mesma data, sua defesa protocolou pedido para ter acesso ao inquérito depois que uma reportagem revelou a existência da investigação na 10ª Vara Federal do Distrito Federal.

A ordem de prisão preventiva contra Vorcaro foi assinada na tarde daquele dia.

Horas depois, ele foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para embarcar em um jato particular.

Para os investigadores, o conjunto das movimentações indica que Vorcaro havia obtido informações antecipadas e tentava deixar o país antes da operação. A PF registrou em relatório que ele teria acionado sua rede de contatos para tentar reduzir os efeitos da ação policial.

Defesa nega conhecimento do mandado

A defesa de Vorcaro sustenta que ele não sabia da existência do mandado de prisão e afirma que a viagem tinha finalidade empresarial relacionada às negociações envolvendo o Banco Master.

Também é importante diferenciar o acesso antecipado à existência da investigação do conhecimento formal de uma ordem de prisão.

Os documentos apontam indícios de vazamento de informações sigilosas, mas a apuração ainda busca esclarecer quem teria fornecido os dados, por quais canais e quais autoridades ou servidores eventualmente participaram dos repasses.

O material integra as investigações sobre o Banco Master, que ganharam nova dimensão após a divulgação de milhares de páginas de procedimentos sob análise do Supremo Tribunal Federal.

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