O governador de Mato Grosso e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), elevou o tom contra o senador e candidato ao Governo Wellington Fagundes (PL) durante o primeiro debate eleitoral realizado nesta terça-feira (18). O confronto ocorreu durante uma discussão sobre infraestrutura, rodovias e contratos públicos no Estado.
Pivetta utilizou declarações feitas pelo ex-governador Silval Barbosa em acordo de colaboração premiada para questionar a atuação política de Wellington e de Cinésio Nunes de Oliveira, atual chefe de gabinete do senador e ex-secretário estadual durante a gestão Silval.
Durante a pergunta, Pivetta acusou o adversário de ter mantido ligação política com a antiga administração e questionou se Wellington pretendia “voltar à cena do crime” ao tentar assumir o Governo de Mato Grosso.
Delação de Silval foi citada no confronto
Na colaboração premiada, Silval Barbosa afirmou que Wellington, quando era deputado federal, teria defendido que a então Secretaria de Infraestrutura e Transportes fosse comandada politicamente pelo PR, partido ao qual ambos estavam ligados naquele período.
Segundo o relato do ex-governador, Wellington teria indicado Cinésio Nunes para a pasta. Silval também alegou que, durante a execução do programa MT Integrado, teriam ocorrido cobranças e repasses de vantagens indevidas envolvendo contratos de obras rodoviárias.
A delação afirma que determinadas construtoras envolvidas no programa pagavam percentuais que variavam, em geral, entre 3% e 4% dos valores recebidos do Estado. O MT Integrado tinha orçamento previsto de aproximadamente R$ 1,5 bilhão, segundo as informações reproduzidas a partir da colaboração.
As declarações de Silval, entretanto, representam acusações feitas em colaboração premiada. Wellington foi citado no acordo, mas, segundo levantamento publicado pelo MidiaNews, não respondeu a processo formalizado nem teve comprovadas judicialmente contra si as acusações mencionadas no debate.
Wellington reage e defende atuação política
Em resposta, Wellington rejeitou a associação feita pelo governador e saiu em defesa de Cinésio.
O senador afirmou que sua atuação política sempre buscou garantir recursos para Mato Grosso, independentemente de quem estivesse no comando do Governo do Estado. Também destacou sua participação na articulação de verbas federais e citou o Auxílio Financeiro para Fomento das Exportações (FEX).
Segundo Wellington, sua atuação ajudou a viabilizar R$ 3 bilhões para o Governo de Mato Grosso e R$ 1 bilhão para os municípios. Os valores foram apresentados pelo próprio candidato durante o debate.
DNIT também vira alvo de troca de acusações
O confronto avançou para a atuação de Wellington junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Pivetta afirmou que o senador exerceu influência política no órgão durante os governos Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer e relacionou esse período às dificuldades enfrentadas pelas rodovias federais que cortam Mato Grosso.
O governador também fez novas acusações sobre a relação de Wellington com obras rodoviárias, mas não apresentou, durante esse trecho do debate, um caso específico ou prova de irregularidade atribuída diretamente ao senador.
Wellington acusa Governo de fazer obras para “panelinha”
Wellington respondeu direcionando as críticas à administração estadual.
O candidato do PL acusou o atual Governo de realizar obras para uma “panelinha” e questionou gastos relacionados à BR-163 e ao Portão do Inferno, em Chapada dos Guimarães.
O senador citou ainda uma contratação de aproximadamente R$ 12 milhões, que, segundo ele, teria ocorrido sem licitação, e mencionou fiscalizações do Tribunal de Contas do Estado sobre rodovias estaduais.
Em outro momento, Wellington desafiou Pivetta a apresentar provas das acusações e procurou inverter o confronto ao lembrar a relação política do governador com a administração do ex-governador Pedro Taques.
Primeiro debate reúne três candidatos
O embate ocorreu no primeiro debate das Eleições 2026 para o Governo de Mato Grosso, promovido pela Centro América FM e pelo portal Primeira Página.
Participaram Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL) e Natasha Slhessarenko (PSD).
A troca de acusações sobre corrupção, obras públicas e infraestrutura marcou um dos momentos mais acirrados do encontro e sinalizou que esses temas devem ocupar espaço relevante na disputa pelo Palácio Paiaguás.







