O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, afirmou que Várzea Grande e outros municípios da Baixada Cuiabana enfrentam graves problemas sociais e estruturais e defendeu uma mobilização nacional para garantir bilhões de reais em investimentos para a região.
A declaração foi feita na quarta-feira (12), durante audiência pública realizada pela Prefeitura de Várzea Grande para apresentação da atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB). O encontro integra o programa Acelera VG Água, criado para discutir o futuro dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário do município.
Ao comentar os problemas históricos de abastecimento de água, Sérgio Ricardo criticou administrações anteriores e classificou a situação atual do município como resultado de décadas de falta de investimentos no setor básico.
O conselheiro afirmou que Várzea Grande vive um cenário de “caos” na área de saneamento e ressaltou que água está diretamente relacionada à saúde e à qualidade de vida da população.
Presidente do TCE fala em “bolsão de miséria”
Durante o discurso, Sérgio Ricardo ampliou a avaliação para Cuiabá e os 13 municípios que compõem a Baixada Cuiabana.
Segundo ele, a região representa um “bolsão de miséria” dentro de Mato Grosso, apesar da riqueza produzida pelo Estado. O presidente do TCE afirmou ainda que Cuiabá e Várzea Grande concentram cerca de 150 mil pessoas abaixo da linha da pobreza.
Para Sérgio Ricardo, a situação revela uma forte desigualdade social, com parte da população enfrentando dificuldades para garantir necessidades básicas enquanto Mato Grosso apresenta números expressivos de produção e geração de riquezas.
Conselheiro defende mobilização nacional por recursos
Sérgio Ricardo afirmou que os problemas acumulados pela Baixada Cuiabana não poderão ser solucionados apenas com recursos municipais.
Ele defendeu a união de forças políticas estaduais e nacionais para viabilizar investimentos em infraestrutura, saneamento e desenvolvimento econômico.
Questionado sobre uma espécie de “força nacional” direcionada à região, o presidente do TCE confirmou a ideia e explicou que se referia a uma grande mobilização política e financeira, inclusive com busca de recursos nacionais e internacionais. Não se trata, portanto, de uma proposta de envio da Força Nacional de Segurança Pública.
Segundo Sérgio Ricardo, as necessidades da região não seriam resolvidas com investimentos de alguns milhões de reais, mas exigiriam valores na casa dos bilhões.
Saneamento de VG pode exigir até R$ 2,8 bilhões
Estudo elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) aponta que Várzea Grande poderá precisar de R$ 1,8 bilhão a R$ 2,8 bilhões em investimentos para modernizar e ampliar os sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
Apesar de 97,6% da população estar ligada à rede de abastecimento, as perdas de água na distribuição chegam a 60%. Sete sistemas de captação e oito Estações de Tratamento de Água precisam de intervenções. Somente nessa área, a estimativa de investimentos varia de R$ 800 milhões a R$ 1,3 bilhão.
No esgotamento sanitário, aproximadamente 30% da população possui atendimento por rede coletora e apenas 16,6% conta com coleta e tratamento. O estudo estima necessidade de mais R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão para avançar na universalização do serviço.
A atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico amplia o horizonte de planejamento até 2060 e servirá de base para a definição do futuro modelo de prestação dos serviços de água e esgoto em Várzea Grande.






