Nova Rota do Oeste rebate Taques e detalha operação de R$ 447 milhões na BR-163

Foto: Vgnotícias

A concessionária Nova Rota do Oeste rebateu as declarações do ex-governador Pedro Taques feitas durante depoimento à CPI do Crime Organizado do Senado e apresentou uma versão detalhada sobre a operação financeira de R$ 447 milhões ligada à retomada das obras da BR-163 em Mato Grosso.

Na oitiva, Taques levantou dúvidas sobre o caminho do dinheiro, a rapidez das decisões envolvendo valores elevados e possíveis inconsistências no modelo adotado para reestruturar a concessão da rodovia. Em resposta, a empresa afirmou que os recursos não ficaram disponíveis para livre movimentação e foram aplicados dentro de uma estrutura jurídica específica montada para reorganizar a dívida da concessionária.

Segundo a concessionária, a operação foi realizada por meio do FIDC MTPAR, fundo criado para adquirir créditos da empresa e permitir a troca de controle acionário. Conforme a nota, o fundo desembolsou R$ 447,8 milhões para comprar créditos que totalizavam R$ 1,008 bilhão em valor original. A renegociação, de acordo com a empresa, reduziu de forma expressiva o passivo financeiro e destravou a concessão, que enfrentava dificuldades operacionais e financeiras havia anos.

A Nova Rota sustentou que o modelo não pode ser interpretado como simples repasse de dinheiro público. Pela explicação apresentada, o fundo funcionou como instrumento de consolidação de direitos creditórios, com ganhos de eficiência tributária e maior agilidade na negociação com credores, fatores apontados como decisivos para viabilizar a retomada das obras de duplicação e modernização da BR-163.

A empresa também respondeu aos questionamentos sobre governança. Segundo a manifestação, o Conselho de Administração é composto por seis integrantes, sendo metade indicada pelo Governo do Estado e metade formada por representantes do mercado financeiro. O colegiado é presidido pelo ex-senador Cidinho Santos.

Outro ponto abordado foi a relação com a Reag Capital Holding. A concessionária afirmou que a contratação da gestora ocorreu por meio da MTPAR em 2023, quando não havia, segundo a empresa, informações públicas que desabonassem a companhia. A nota acrescenta que a liquidação da Reag em janeiro de 2026 não afetou os recursos da concessão, já que os valores haviam sido usados ainda em 2023 para quitar dívidas com sete instituições financeiras.

No campo da fiscalização, a Nova Rota do Oeste destacou que a concessão é acompanhada pela ANTT, pela Comissão de Valores Mobiliários, por auditorias externas e por verificador independente ligado ao contrato com o BNDES. A empresa informou ainda que, a partir de 2026, passou a estruturar também um modelo de prestação de contas junto ao Tribunal de Contas do Estado.

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