A devastação provocada pelo garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Pontes e Lacerda, já ultrapassa 3 mil hectares e alcança uma dimensão equivalente a mais de 4 mil campos de futebol. O avanço da atividade expõe a gravidade da ocupação irregular em uma área que deveria estar sob proteção permanente.
De acordo com os dados divulgados, o território segue pressionado pela presença de garimpeiros ilegais e organizações criminosas. Investigações apontam que a exploração de ouro na região passou a contar com atuação direta do Comando Vermelho, o que elevou o nível de organização da atividade e agravou o cenário de violência e invasão.
Embora tenha sido registrada uma redução de 20% na área garimpada entre 2024 e 2025, o problema está longe de ser solucionado. A estimativa das forças de segurança é de que cerca de 2 mil pessoas, entre garimpeiros e integrantes de grupos criminosos, ainda permaneçam dentro da terra indígena.
Os danos não se limitam à área desmatada. O garimpo ilegal também compromete rios com mercúrio, destrói áreas de vegetação nativa e ameaça diretamente a sobrevivência do povo Nambikwara, que vive em sete aldeias no território.
Na tentativa de conter o avanço da atividade, o Ibama intensificou as ações na região. Desde 2023, foram realizadas mais de 420 operações, com a desativação de aproximadamente mil acampamentos ilegais e a destruição de 513 escavadeiras hidráulicas utilizadas no garimpo.







