Tarifaço de Trump pode elevar taxação contra produtos do Brasil para 37,5%

Agência Brasil - Foto: Governo Federal Economia Brasil

O governo brasileiro avalia que a nova proposta de tarifa dos Estados Unidos contra produtos do Brasil pode elevar a taxação total para até 37,5% em alguns casos.

A medida foi apresentada pela administração do presidente Donald Trump e prevê a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

A proposta está baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento usado pelos Estados Unidos para investigar e punir práticas comerciais consideradas desleais ou prejudiciais aos interesses do país.

Segundo o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, a investigação aponta supostas práticas brasileiras consideradas “injustas” em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, tarifas preferenciais, etanol e questões ambientais, incluindo desmatamento ilegal.

O governo brasileiro, por outro lado, avalia que as justificativas apresentadas ignoram argumentos técnicos enviados por Brasília nos últimos meses. Integrantes do governo Lula também enxergam motivação política na proposta.

A nova tarifa ainda não está em vigor. A proposta ficará em consulta pública até 1º de julho, com audiência marcada para 6 de julho. A decisão final deverá ser tomada até 15 de julho.

Alguns produtos brasileiros devem ficar fora da nova cobrança. A lista de exceções inclui carne bovina, café, terras raras, energia, partes de aeronaves, petróleo, produtos farmacêuticos, químicos orgânicos, fertilizantes e determinados metais.

A proposta amplia a tensão comercial entre os dois países. Apesar das alegações norte-americanas, os Estados Unidos mantêm superávit no comércio com o Brasil. Em 2024, os EUA exportaram US$ 54,4 bilhões ao mercado brasileiro e importaram US$ 39,9 bilhões, o que representa saldo positivo superior a US$ 14 bilhões para os norte-americanos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a medida e afirmou que o Brasil poderá buscar outros mercados caso os Estados Unidos dificultem as compras de produtos brasileiros. A China, principal parceira comercial do Brasil, foi citada no contexto das alternativas comerciais.

A proposta também ocorre em meio a um cenário de desgaste diplomático entre os dois governos, marcado por divergências políticas, comerciais e por recentes decisões dos Estados Unidos envolvendo temas de segurança e comércio exterior.

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