O advogado Ocimar Carneiro de Campos, de 61 anos, deixou a prisão nesta segunda-feira (14) após receber liberdade provisória mediante pagamento de R$ 10 mil de fiança.
A decisão foi tomada pelo juiz Leonardo Araújo Costa Tumiati durante audiência de custódia.
Ocimar havia sido preso em flagrante na noite de domingo (13), após ser abordado dirigindo uma Land Rover sem as placas dianteira e traseira durante uma blitz em Cuiabá.
Veículo estava sem identificação
A abordagem aconteceu por volta das 23h35, na região do bairro Cidade Verde, durante uma operação integrada coordenada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso.
O advogado conduzia uma Land Rover Range Rover Sport D350 Autobiography, preta, ano/modelo 2023/2024.
Durante a fiscalização, os agentes verificaram que o veículo não possuía as placas dianteira nem traseira.
Um perito oficial realizou uma análise preliminar ainda no local e confirmou a ausência dos sinais de identificação.
Diante da situação, Ocimar foi encaminhado à Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito.
Polícia vê indícios de que carro estava sem placas havia dias
Outro elemento chamou a atenção dos investigadores.
O histórico do sistema de reconhecimento óptico de caracteres, utilizado pelas câmeras para identificar placas de veículos, mostra que a última leitura da placa original da Land Rover, STF-5B55, aconteceu às 21h34 do dia 30 de agosto.
Na ocasião, o automóvel passou pela BR-163, no km 502, em Nobres, no sentido Nova Mutum–Nobres.
Após essa data, o relatório anexado ao flagrante não registra novas leituras até a abordagem ocorrida cerca de duas semanas depois.
Para a Polícia Civil, existem indícios de que o veículo já estivesse circulando sem as placas durante parte desse período.
A ausência das placas impede que equipamentos desse tipo identifiquem automaticamente o automóvel em vias e rodovias.
Polícia não diz que advogado retirou as placas
Apesar da suspeita sobre o período em que o carro permaneceu sem identificação, a Polícia Civil não atribuiu a Ocimar a retirada das placas.
Durante a própria oitiva, o delegado esclareceu que o advogado estava sendo autuado porque foi encontrado conduzindo um veículo com os sinais identificadores suprimidos.
O procedimento não aponta quem retirou as placas nem afirma, até o momento, que a supressão tenha ocorrido com a finalidade específica de evitar o monitoramento.
Ocimar declarou que havia saído de casa em outro automóvel e que passou a dirigir a Land Rover posteriormente.
A versão apresentada não esclareceu quando ou por quem as placas foram retiradas.
Veículo está registrado em nome da filha do advogado
Segundo os dados cadastrais anexados ao procedimento, a Land Rover está registrada em nome de Gabriela Volcov de Campos, filha do advogado.
Durante a investigação inicial, houve divergência sobre a informação de propriedade do veículo, já que Ocimar teria mencionado que o automóvel pertencia à cunhada.
A documentação consultada pela polícia, entretanto, aponta a filha como proprietária registrada.
Fiança ficou para decisão da Justiça
Na delegacia, a autoridade policial não fixou fiança.
Isso ocorreu porque o crime pelo qual Ocimar foi autuado prevê pena máxima superior a quatro anos. Nesses casos, a concessão de fiança não pode ser decidida pelo delegado e fica sob responsabilidade do Judiciário.
Após a audiência de custódia realizada nesta segunda-feira, o juiz concedeu liberdade provisória e estabeleceu fiança de R$ 10 mil.
Com o recolhimento do valor, o advogado foi colocado em liberdade e poderá responder ao procedimento fora da prisão.
A soltura não representa absolvição nem encerramento da investigação. A responsabilidade criminal será definida no decorrer do processo.






