Impacto Geral

Crise no TCU expõe disputa interna sobre fraude bilionária no INSS

Reprodução Agência Brasil

Ministro Bruno Dantas cobra explicações do INSS enquanto acusações de lentidão contra Aroldo Cedraz paralisam investigações

A crise envolvendo a fraude bilionária contra aposentados no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) gerou um racha público no Tribunal de Contas da União (TCU). Na terça-feira (6/5), o ministro Bruno Dantas determinou que o INSS apresente, em até 15 dias, um plano de devolução dos valores descontados indevidamente das aposentadorias por entidades associativas — um rombo que ultrapassa R$ 6 bilhões.

A decisão de Dantas escancara a tensão dentro do tribunal, onde já tramita, desde 2023, outro processo sobre o mesmo escândalo, sob a relatoria do ministro Aroldo Cedraz. Cedraz tem sido criticado abertamente pelos colegas por, segundo eles, não dar celeridade às investigações, o que, na prática, teria beneficiado as entidades suspeitas.

De acordo com as críticas feitas na última sessão do plenário do TCU, Cedraz segurou por quase um ano o julgamento de recursos apresentados pelas associações investigadas pela Polícia Federal. Ministros como Walton Alencar e o próprio Bruno Dantas acusaram Cedraz de permitir a paralisia do processo.

“Eu admito que estou muito frustrado com esse caso. Estamos em maio de 2025 e não sabemos — porque não há monitoramento — se alguma medida foi cumprida ou não”, disse Dantas durante a sessão. Walton Alencar foi ainda mais direto: “O acórdão é de junho de 2024. E agravo não tem efeito suspensivo. Houve três agravos e dois embargos, e nada foi feito desde então.”

Cedraz, por sua vez, reagiu às críticas afirmando que reportagens que apontaram sua inércia seriam “fake news” e que o tribunal já havia determinado a suspensão de novos descontos em 2024. No entanto, ele não negou que os descontos antigos — que somam cerca de R$ 3 bilhões anuais — continuaram sendo aplicados aos aposentados.

Diante do embate, Cedraz pediu o adiamento da votação sobre o caso, o que foi concedido pelo presidente do TCU, Vital do Rêgo, apesar da resistência de quatro ministros (Dantas, Walton Alencar, Antônio Anastasia e Augusto Nardes), que já indicavam voto contrário ao relator.

A fraude no INSS mostrou que associações vinham descontando mensalidades de aposentados de forma irregular, sem consentimento dos segurados. Em apenas um ano, as arrecadações dessas entidades dispararam para mais de R$ 2 bilhões, enquanto ações judiciais contra as associações se acumulavam.

As reportagens levaram à abertura de investigações na Polícia Federal e na Controladoria-Geral da União (CGU). A PF listou 38 matérias do portal como base para a representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril. A operação resultou na exoneração do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

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