O dólar encerrou a terça-feira (3) cotado a R$ 5,4872 e atingiu o maior nível de fechamento registrado em 2026.
A moeda norte-americana avançou 0,79% no primeiro pregão de novembro e chegou a superar R$ 5,50 durante as negociações.
Na máxima do dia, o dólar alcançou R$ 5,5157.
O movimento ocorreu em meio ao aumento das preocupações dos investidores com a política fiscal, inflação e trajetória dos juros brasileiros.
Dólar acumula três pregões consecutivos de alta
A sessão de terça-feira marcou o terceiro avanço consecutivo da moeda americana.
Com a nova valorização, o dólar praticamente zerou as perdas que ainda acumulava em relação ao real durante o ano.
O fechamento de R$ 5,4872 foi o maior desde 30 de dezembro de 2025.
Na semana anterior, o câmbio já havia registrado forte volatilidade após o segundo turno da eleição presidencial.
Mercado cobra sinalização sobre contas públicas
Um dos principais fatores de pressão sobre o real é a incerteza sobre os rumos da política econômica no próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Investidores acompanham principalmente possíveis medidas para controlar despesas, trajetória da dívida pública e definição da estratégia fiscal para 2027.
A ausência de sinais mais claros aumentou a cautela no mercado.
Proposta sobre Selic aumentou tensão
Outra discussão que movimentou os investidores foi uma proposta apresentada pelo economista André Lara Resende.
Ele defendeu um modelo que permitiria reduzir gradualmente a taxa Selic como parte de uma estratégia para diminuir o crescimento da dívida pública.
A possibilidade de o governo considerar uma mudança desse tipo provocou reação negativa em parte do mercado financeiro.
O Ministério da Fazenda afirmou que a proposta apresenta problemas e negou que houvesse reunião marcada entre Lula e Lara Resende.
Inflação projetada para 2027 aumenta
O primeiro Boletim Focus divulgado depois do segundo turno também mostrou deterioração das expectativas.
A projeção do mercado para a inflação de 2027 passou de 4,34% para 4,76%.
O número ficou acima do teto da meta considerado nas projeções atuais.
Já a previsão para a taxa Selic no fim de 2027 passou de 11,75% para 12,50% ao ano.
As projeções para o câmbio também foram revistas para cima.
Bolsa também caiu
A pressão não ficou restrita ao mercado de câmbio.
O Ibovespa caiu 1,42% na terça-feira e fechou aos 165.528 pontos.
Foi a sexta sessão consecutiva de queda da Bolsa brasileira.
A combinação de dólar em alta, juros futuros elevados e queda das ações demonstra o aumento da cautela entre investidores.
Dólar recua nesta quarta-feira
Apesar do fechamento elevado na terça, o mercado iniciou esta quarta-feira (4) em direção diferente.
Por volta das 9h, o dólar recuava cerca de 0,5% e era negociado próximo de R$ 5,46.
O mercado acompanha agora a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central sobre a taxa Selic.
Portanto, o patamar de R$ 5,48 representa o fechamento da sessão anterior e não a cotação atual desta quarta-feira.






