Impacto Geral

Senado aprova PEC da Segurança, mas deixa redução da maioridade penal para votação separada

Plenário do Senado durante a votação da PEC da Segurança Pública, em 3/11/2026. Foto: Agência Senado

O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (3) a PEC da Segurança Pública, mas decidiu retirar do texto as propostas que reduzem a maioridade penal.

As emendas sobre o tema passarão a tramitar como propostas independentes e poderão ser analisadas separadamente pelo Congresso.

A decisão ocorreu após uma votação apertada no Plenário.

Por 38 votos a 36, além de uma abstenção, os senadores aprovaram o desmembramento das duas emendas que tratavam da responsabilização criminal de adolescentes.

PEC da Segurança é aprovada por unanimidade

A PEC 18/2025 foi aprovada em dois turnos pelo Senado.

No primeiro, recebeu 73 votos favoráveis e nenhum contrário.

No segundo turno, foram 75 votos a favor e novamente nenhum voto contrário.

Como o texto aprovado pelo Senado manteve a estrutura principal já votada pela Câmara, a proposta segue agora para promulgação.

Maioridade penal fica fora do texto

O principal impasse da sessão envolveu duas emendas sobre a maioridade penal.

Uma delas, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), propunha reduzir de 18 para 16 anos a idade de responsabilização penal como regra geral.

A mesma proposta previa responsabilização a partir dos 14 anos em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas.

Outra emenda, apresentada pelo senador Camilo Santana (PT-CE), mantinha a regra geral aos 18 anos, mas permitia responsabilização a partir dos 16 anos em crimes hediondos.

Nenhuma das duas foi incorporada à PEC da Segurança.

Relator defendeu discussão separada

O relator da proposta, senador Rogério Carvalho (PT-SE), argumentou que a redução da maioridade penal não fazia parte do objetivo original da PEC.

Segundo ele, o tema exige discussão específica e mais aprofundada.

Carvalho também destacou que a Câmara dos Deputados já possui uma comissão especial analisando propostas relacionadas à maioridade penal.

Por isso, apresentou requerimentos para transformar as emendas em propostas independentes.

Oposição criticou desmembramento

Senadores de oposição defenderam que as emendas fossem votadas durante a análise da PEC.

Rogério Marinho afirmou que a redução da maioridade penal está diretamente relacionada à segurança pública e criticou a decisão de separar o tema.

Outros parlamentares também se posicionaram contra o desmembramento.

Apesar das divergências, a proposta para separar as emendas venceu por apenas dois votos de diferença.

Tema pode voltar rapidamente ao Plenário

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que pretende acelerar a análise das propostas independentes sobre maioridade penal.

Segundo o Senado, uma nova PEC sobre o tema poderá inclusive ser analisada já nesta quarta-feira (4), desde que exista acordo para votação.

Portanto, a discussão não foi encerrada.

A redução da maioridade penal apenas deixou de fazer parte da PEC da Segurança e passará a tramitar em uma proposta própria.

O que muda com a PEC da Segurança

A PEC aprovada incorpora o Sistema Único de Segurança Pública à Constituição e amplia a cooperação entre União, estados e municípios.

O texto também prevê medidas mais rígidas contra facções criminosas e milícias.

Entre elas estão prisão em unidades de segurança máxima, restrições à progressão de regime e possibilidade de confisco de bens ligados à atividade criminosa.

A proposta também amplia direitos das vítimas, fortalece fundos da área e permite a criação de polícias municipais dentro de critérios previstos na legislação.

Maioridade penal continua em 18 anos

Enquanto uma nova proposta não for aprovada pelo Congresso, permanece válida a atual regra constitucional.

A Constituição estabelece que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis.

Adolescentes que cometem atos infracionais continuam sujeitos às medidas previstas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

Qualquer alteração dessa regra dependerá da aprovação de uma nova PEC em dois turnos na Câmara e no Senado, com os quóruns constitucionais exigidos.

Compartilhe :

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *