Mato Grosso registra 18 feminicídios e 22 órfãos em menos de cinco meses

Foto: Montagem VG Notícias

Mato Grosso já contabiliza 18 feminicídios em 2026, número que deixou ao menos 22 órfãos em menos de cinco meses. Os dados são do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso, e reforçam o alerta sobre falhas na proteção às mulheres no Estado.

O levantamento também foi citado em relatório da Câmara Setorial Temática do Feminicídio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. O documento aponta que os assassinatos não ocorrem por falta de leis, mas pela dificuldade do poder público em priorizar a proteção da vida das mulheres.

Entre os dados que mais chamam atenção está o fato de que apenas uma das 18 vítimas possuía medida protetiva contra o agressor. Em 13 casos, não havia boletim de ocorrência registrado anteriormente, o que mostra a dificuldade de identificação prévia do risco.

A maior parte dos crimes ocorreu dentro de casa. Conforme o levantamento, sete feminicídios foram registrados na residência da vítima e outros sete na casa do casal. Apenas três casos ocorreram em via pública.

Companheiros e ex-companheiros seguem como os principais autores dos assassinatos. Entre as motivações mais recorrentes aparecem misoginia, discriminação contra a condição de mulher, separação, tentativa de rompimento, ciúmes e sentimento de posse.

A arma branca foi o principal meio utilizado nos crimes registrados neste ano, aparecendo em nove ocorrências.

Cuiabá lidera o ranking estadual, com três feminicídios em 2026. Tangará da Serra aparece em seguida, com dois casos. Várzea Grande, Vila Bela da Santíssima Trindade e Tapurah também foram citadas no levantamento, com um caso cada.

A matéria cita crimes recentes que refletem esse cenário. Em Cuiabá, Nilza Moura de Souza Antunes, de 64 anos, foi morta pelo marido. Em Várzea Grande, Elzilene Alves do Nascimento, de 49 anos, foi assassinada pelo companheiro. Já em Tangará da Serra, foram registrados os feminicídios de Valéria Araújo Corrêa, de 28 anos, e Clara Vitória da Silva, de 23 anos.

No relatório final, a Assembleia Legislativa defende que os feminicídios deixem de ser tratados apenas como casos policiais e passem a ser enfrentados como consequência de falhas históricas na prevenção da violência contra mulheres.

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