O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu publicamente ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, mas a postura do governo diante da taxa aplicada pela China sobre a carne brasileira tem gerado críticas no setor produtivo e no debate político.
Os Estados Unidos oficializaram uma tarifa adicional de 25% sobre grande parte dos produtos brasileiros importados. A medida foi tomada após investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos.
O governo brasileiro contestou a decisão americana e classificou a medida como injusta. Entre os pontos rebatidos estão acusações envolvendo comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, PIX, etanol, propriedade intelectual, desmatamento ilegal e aplicação de leis anticorrupção.
Em resposta, o Planalto sinalizou a possibilidade de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, mecanismo aprovado pelo Congresso para reagir a medidas comerciais consideradas injustas contra o Brasil.
Enquanto isso, outro tarifaço, desta vez imposto pela China, tem preocupado frigoríficos e pecuaristas brasileiros.
A medida chinesa estabelece uma cota anual para importações de carne estrangeira. Acima desse limite, passa a ser cobrada uma taxa adicional de 55%.
No caso da carne brasileira, a tarifa regular de 12% somada à sobretaxa pode elevar a cobrança sobre o excedente a até 67%.
A crítica levantada é que, apesar do impacto potencial da medida chinesa, o governo federal não tem adotado o mesmo tom público usado contra os Estados Unidos.
A China é um dos principais destinos da carne bovina brasileira. Por isso, a sobretaxa sobre volumes que ultrapassarem a cota anual pode reduzir a competitividade do produto nacional no mercado chinês.
O setor teme reflexos na cadeia produtiva, com redução de ritmo nos frigoríficos, férias coletivas, pressão sobre preços e impactos sobre pecuaristas e trabalhadores.
Mato Grosso aparece entre os estados mais expostos ao problema, por ser um dos maiores produtores de carne bovina do país e concentrar unidades frigoríficas habilitadas para exportação ao mercado chinês.
A situação reforça o desafio diplomático e econômico do Brasil diante de duas grandes potências comerciais. De um lado, os Estados Unidos ampliam tarifas contra produtos brasileiros. De outro, a China impõe barreiras sobre a carne acima da cota anual.
Para representantes do setor produtivo, o Brasil precisa manter diálogo com os dois países, mas também cobrar tratamento equilibrado para suas exportações.
A controvérsia coloca em debate a estratégia comercial do governo e a necessidade de uma resposta mais ampla para proteger setores estratégicos da economia brasileira.






