Servidor da SES citado por deputados deixou cartas sobre depressão antes de morrer

Foto: Reprodução/Processo

A morte do servidor público Cleston Celestino Batista, da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), voltou a repercutir após o nome dele ser citado em debates na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).

Cleston era servidor efetivo da SES-MT e atuava como coordenador de Assistência Técnica e Suporte a Usuários de Tecnologia da Informação (TI). Ele morreu em 29 de março de 2026, em Cuiabá.

O caso foi mencionado por parlamentares no contexto da CPI da Saúde, comissão instalada para investigar supostas irregularidades em contratos firmados pela Secretaria de Estado de Saúde entre 2019 e 2021.

Durante as discussões, deputados questionaram a proximidade entre a morte do servidor e um ataque cibernético registrado contra a SES-MT em março deste ano.

No entanto, segundo a matéria, as cartas deixadas por Cleston não fazem menção à CPI da Saúde, ao ataque hacker, à SES-MT ou a eventuais problemas relacionados ao cargo que ele ocupava.

Ainda conforme as informações divulgadas, o servidor relatava ter um bom ambiente profissional, gostar das atividades que exercia e manter boa relação com os colegas de trabalho.

A perícia também não apontou sinais de invasão, arrombamento ou luta corporal no local onde ele foi encontrado. Durante os trabalhos periciais, foram localizadas cartas destinadas aos filhos, à esposa e aos pais, além de um documento de três páginas intitulado “Desabafo”.

Nos textos, Cleston abordava temas ligados à vida pessoal, trajetória profissional, relações familiares e sofrimento emocional. Ele também relatava enfrentar depressão havia anos.

A documentação encontrada indica que o servidor refletia sobre sentimentos de solidão, angústia e falta de pertencimento, mesmo reconhecendo conquistas pessoais, estabilidade financeira, formação acadêmica e vínculos familiares.

A morte de Cleston passou a ser associada ao debate público sobre a SES-MT por causa das menções feitas na Assembleia. Porém, até o momento, o conteúdo das cartas não aponta relação direta com a CPI, com o ataque cibernético ou com as funções exercidas por ele na secretaria.

O caso segue como um ponto sensível dentro das discussões políticas e institucionais sobre a Saúde em Mato Grosso.

Em situações de sofrimento emocional, é possível buscar apoio gratuito e sigiloso pelo CVV, no telefone 188, disponível 24 horas.

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