O governo brasileiro negou vistos a dois funcionários de alto escalão do Departamento de Estado dos Estados Unidos que planejavam viajar a Brasília para realizar reuniões sobre o sistema eleitoral do país.
A informação foi divulgada pelo jornal norte-americano The Washington Post e confirmada por fontes ouvidas também pela agência Reuters.
Os integrantes da delegação seriam Riley M. Barnes, secretário-assistente do Departamento de Estado, e Samuel Samson, subsecretário-assistente.
Segundo a publicação, os dois apresentaram pedidos de visto no Consulado do Brasil em Washington e informaram que pretendiam manter reuniões com autoridades envolvidas no processo eleitoral brasileiro.
A viagem estava prevista para ocorrer antes das eleições presidenciais marcadas para 4 de outubro de 2026.
Governo suspeitou de tentativa de desacreditar urnas
Autoridades brasileiras ouvidas pelo jornal americano afirmaram que o governo tomou conhecimento do planejamento da missão e decidiu impedir a entrada dos funcionários.
A suspeita era de que a delegação procurasse críticos das urnas eletrônicas e produzisse um relatório com questionamentos sobre a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral.
Uma autoridade brasileira classificou a iniciativa como incompatível com a democracia do país e afirmou que o governo atuaria para proteger o processo eleitoral de possíveis interferências externas.
Apesar dessas suspeitas, não foram divulgados documentos que detalhassem oficialmente a agenda ou os encontros pretendidos pelos representantes americanos.
Estados Unidos confirmaram viagem
O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou ao The Washington Post que Barnes e Samson planejavam viajar a Brasília.
O órgão, porém, não esclareceu qual seria o objetivo específico da missão nem respondeu se o governo americano possuía alguma preocupação concreta sobre a segurança das eleições brasileiras.
Por isso, não é possível afirmar que os enviados fariam uma inspeção formal nas urnas eletrônicas. As informações disponíveis indicam que eles pretendiam discutir e questionar o sistema eleitoral em reuniões com autoridades e outros interlocutores.
Relação entre países enfrenta tensão
O episódio ocorre em meio a um período de tensão diplomática entre os governos brasileiro e americano.
As divergências envolvem temas como o processo eleitoral de 2026, medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos e posicionamentos do governo de Donald Trump relacionados à política brasileira.
O sistema eletrônico de votação do Brasil já foi acompanhado por missões internacionais. Segundo representantes brasileiros na Organização dos Estados Americanos, as avaliações realizadas desde 2018 consideraram o processo seguro e capaz de produzir resultados legítimos.
Até o momento, o governo brasileiro não divulgou publicamente todos os detalhes diplomáticos relacionados à negativa dos vistos.






