Infectologista alerta para avanço da meningite meningocócica mais letal no Brasil

Foto: Arquivo Pessoal

A meningite meningocócica segue entre as doenças infecciosas mais graves em circulação no Brasil e acende alerta entre especialistas diante do avanço dos casos ligados ao sorogrupo B.

A infectologista pediátrica Isabel Lopes, coordenadora científica da Sociedade Mato-Grossense de Infectologia, afirma que a principal preocupação está na velocidade de evolução da doença. Em alguns casos, o quadro pode se agravar em poucas horas e levar o paciente à morte em menos de 24 horas após os primeiros sintomas.

A doença é causada pela bactéria Neisseria meningitidis. Além de provocar inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, ela pode causar uma infecção generalizada grave, conhecida como meningococcemia.

Segundo a especialista, essa evolução pode levar a choque séptico, falência de órgãos, sequelas neurológicas, motoras e cognitivas, além de morte.

Um dos principais desafios é que os primeiros sinais podem ser confundidos com viroses comuns. Febre, mal-estar e indisposição costumam aparecer no início do quadro, o que pode fazer com que famílias demorem a procurar atendimento médico.

Entre os sinais que exigem atenção imediata estão febre alta, prostração intensa, sonolência excessiva, irritabilidade, vômitos persistentes e dor de cabeça forte. Com a evolução da doença, também podem surgir rigidez na nuca, dificuldade para movimentar o pescoço, sensibilidade à luz, manchas arroxeadas pelo corpo e alteração do nível de consciência.

Em bebês, os sintomas podem ser menos específicos. A médica orienta atenção a sinais como recusa alimentar, irritabilidade intensa, choro persistente e moleira abaulada.

De acordo com Isabel Lopes, o avanço do sorogrupo B preocupa especialmente pelo impacto em crianças pequenas. Ela afirma que esse sorogrupo já representa a maior parte dos casos sorogrupados da doença meningocócica no país.

A principal forma de prevenção é a vacinação. Atualmente, o Sistema Único de Saúde oferece vacinas contra pneumococo, Haemophilus influenza tipo b e meningococo, incluindo a meningocócica C no primeiro ano de vida e a ACWY como reforço no segundo ano de vida e para adolescentes em faixas etárias específicas.

Na rede privada, também está disponível a vacina contra o meningococo B, considerada importante diante do atual cenário epidemiológico.

A orientação dos especialistas é manter o calendário vacinal atualizado e procurar atendimento médico imediatamente diante de sintomas suspeitos, principalmente quando houver piora rápida do estado geral.

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