A sargento da Polícia Militar de Mato Grosso Miriã Bortolini Biazi transformou a própria experiência contra a leucemia em um apelo pela doação de medula óssea e de sangue.
Diagnosticada com a doença em fevereiro deste ano, ela precisou deixar Cuiabá e seguir para São Paulo, onde passou por tratamento com quimioterapia e aguardou o momento adequado para receber o transplante de medula óssea.
O procedimento não é realizado em Mato Grosso, o que obriga pacientes do Estado a buscar atendimento em outras unidades da federação.
Após quatro meses de espera, Miriã conseguiu realizar o transplante em junho. O doador foi o próprio irmão, que apresentou compatibilidade. Em recuperação, ela descreve o procedimento como uma nova oportunidade de vida.
“Eu vejo como uma segunda chance de vida”, afirmou.
O período pós-transplante exige cuidados rigorosos. A sargento relatou restrições alimentares, uso contínuo de medicamentos, isolamento durante a internação e a necessidade de permanecer próxima ao hospital mesmo após a alta. A preocupação é evitar infecções, já que a imunidade ainda está em reconstrução.
A partir da própria vivência, Miriã passou a incentivar o cadastro de novos doadores de medula óssea. Segundo ela, encontrar alguém compatível fora da família é extremamente difícil.
“Para conseguir um doador compatível, é como se fosse ganhar numa mega-sena, ou talvez até mais difícil do que isso, se não for um parente”, disse.
Em Mato Grosso, o cadastro de doadores pode ser feito no MT-Hemocentro, em Cuiabá. O interessado deve apresentar documento de identidade e comprovante de endereço, preencher uma ficha e autorizar a coleta de uma pequena amostra de sangue, de cerca de 10 ml, usada para exame de compatibilidade.
Os dados são incluídos no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea, o REDOME. A pessoa cadastrada só será chamada caso apareça um paciente compatível.
Mato Grosso possui 73.911 pessoas cadastradas como doadoras de medula óssea, o que representa 2,02% da população. Apesar disso, a compatibilidade entre pessoas sem parentesco pode chegar a uma chance em 100 mil.
Além do cadastro de medula, a sargento também reforça a importância da doação de sangue. Durante o tratamento contra a leucemia, ela precisou receber plaquetas e hemácias em diferentes momentos.
O MT-Hemocentro, único banco de sangue público de Mato Grosso, fica na Rua 13 de Junho, nº 1.055, em Cuiabá.
Para Miriã, cada cadastro e cada doação podem representar esperança para pacientes que aguardam tratamento.
“Tem muita gente na mesma situação que eu”, afirmou.






