Justiça amplia buscas por bens de ex-presidente da Câmara de Cuiabá

Foto: Reprodução

A Justiça determinou novas medidas para tentar localizar bens do ex-presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, Lutero Ponce de Arruda, condenado por improbidade administrativa.

A dívida atualizada ultrapassa R$ 77,3 mil e está relacionada a um processo que apurou a utilização de funcionárias terceirizadas do Poder Legislativo em serviços particulares na chácara do então vereador.

A decisão foi proferida pelo juiz Bruno D’Oliveira Marques, da Vara de Ações Coletivas de Cuiabá.

O magistrado autorizou pesquisas patrimoniais por meio do sistema Sniper, ferramenta do Conselho Nacional de Justiça que cruza dados fiscais, financeiros e societários para auxiliar na identificação de possíveis bens e vínculos patrimoniais.

Lutero e a empresa Uniserv — União de Serviços e Comércio Ltda. também deverão ser incluídos em cadastros de inadimplentes.

Buscas anteriores não localizaram patrimônio

A adoção das novas medidas ocorreu após diversas tentativas frustradas de localizar patrimônio suficiente para garantir o pagamento da condenação.

Consultas realizadas pelos sistemas BacenJud, Sisbajud, Renajud, Central Nacional de Indisponibilidade de Bens e Infojud não encontraram valores ou propriedades suficientes.

Também não tiveram sucesso as tentativas de penhora de um veículo e de um imóvel atribuídos ao ex-presidente da Câmara.

O juiz rejeitou a realização imediata de novos bloqueios pelo Sisbajud e a repetição das consultas no Infojud e Renajud.

Segundo o magistrado, não foi demonstrada uma mudança na situação econômica dos condenados que justificasse a renovação imediata dessas diligências.

Pedido para suspender CNH foi negado

O Ministério Público Estadual também havia solicitado a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação e a apreensão do passaporte de Lutero Ponce.

Os pedidos foram negados neste momento.

A Justiça entendeu que ainda não foram esgotadas todas as medidas tradicionais destinadas à localização de patrimônio, condição necessária para a adoção de providências consideradas atípicas.

Caso as novas pesquisas também não encontrem bens, o processo poderá ser suspenso e permanecer sob acompanhamento periódico da Vara.

Nessa situação, o Ministério Público e o município de Cuiabá deverão ser intimados a cada seis meses para informar sobre a eventual localização de patrimônio ou solicitar novas medidas de cobrança.

Condenação ocorreu em 2013

Lutero Ponce e a Uniserv foram condenados em dezembro de 2013, após uma ação apresentada pelo Ministério Público Estadual.

A Justiça reconheceu que funcionárias terceirizadas, contratadas pela Câmara Municipal para serviços gerais, foram utilizadas em atividades particulares na chácara do então vereador, entre março de 2007 e fevereiro de 2009.

Conforme a sentença, houve prejuízo aos cofres públicos porque as trabalhadoras eram remuneradas com recursos da Câmara, mas prestavam serviços em benefício particular.

Além do ressarcimento dos danos, os condenados receberam multa civil e ficaram proibidos de contratar com o poder público ou receber benefícios fiscais pelo período de cinco anos.

Lutero também teve os direitos políticos suspensos por oito anos.

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