A pré-candidata do Democracia Cristã à Presidência da República, Clariana Barão, criticou os índices de violência contra as mulheres em Mato Grosso e afirmou que o Estado não pode ser apresentado como “o Brasil que deu certo”.
A declaração foi feita nesta segunda-feira (27), durante entrevista ao programa No Ar.
Segundo Clariana, a realidade enfrentada pelas mulheres vítimas de violência contradiz discursos que apresentam Mato Grosso como referência de desenvolvimento e sucesso nacional.
A pré-candidata afirmou que o Estado aparece, pelo terceiro ano consecutivo, entre as unidades da Federação com maior número de mortes de mulheres relacionadas à violência de gênero.
“Como podemos falar que Mato Grosso é o Brasil que deu certo quando temos, pelo terceiro ano consecutivo, o Estado onde mais se matam mulheres vítimas da violência de gênero?”, questionou.
A declaração foi uma crítica à afirmação atribuída ao governador Otaviano Pivetta de que Mato Grosso representaria “o Brasil que deu certo”.
Clariana defende mais mulheres na política
Durante a entrevista, Clariana também defendeu o aumento da participação feminina nos espaços de poder.
Para a pré-candidata, embora homens possam apoiar pautas relacionadas aos direitos das mulheres, algumas situações vivenciadas pelo público feminino não são compreendidas integralmente sem a participação direta delas na política.
Clariana afirmou que pretende levar para a disputa presidencial uma perspectiva relacionada à sua experiência como mulher e mãe, além de propostas econômicas e de reformas políticas.
Entre as pautas mencionadas estão a proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade, a profissionalização feminina e a ampliação de políticas voltadas à primeira infância.
A pré-candidata também destacou a situação das mães solo, afirmando que a falta de creches e de assistência pública dificulta o acesso dessas mulheres ao trabalho, à qualificação profissional e à independência financeira.
Conflito político em Várzea Grande
Clariana também comentou o conflito entre a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, e o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira.
A prefeita afirma que vem sofrendo ataques relacionados ao fato de ser mulher e acionou judicialmente o vereador.
Clariana declarou que apoia a defesa dos direitos femininos, mas ponderou que a questão de gênero não deve ser utilizada para justificar todos os conflitos políticos.
Na avaliação da pré-candidata, algumas declarações atribuídas ao presidente da Câmara não representam necessariamente uma ofensa baseada no gênero da prefeita.
Ela também afirmou que o confronto entre a Prefeitura e o Legislativo tem prejudicado o desenvolvimento de Várzea Grande.
Segundo Clariana, o município poderia ter avançado mais caso os dois poderes tivessem alcançado maior alinhamento político e institucional.
Pré-candidatura é mantida
Clariana afirmou ainda que sua pré-candidatura à Presidência da República continua mantida pelo Democracia Cristã.
Segundo ela, o partido ainda aguarda informações oficiais sobre possíveis articulações com outras legendas.
A advogada e empresária disse que não possui mandato eletivo e se apresenta como uma alternativa fora da política tradicional.





