Dívida pública do Brasil pode chegar a 100% do PIB em 2027, projeta FMI

A dívida pública brasileira poderá atingir o equivalente a 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, de acordo com projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O cenário mais recente divulgado pelo organismo aponta que a dívida bruta do governo geral deve alcançar 97,8% do PIB em 2026, chegar a 100% no ano seguinte e continuar avançando nos próximos anos. Para 2028, a estimativa é de 102% do PIB.

A trajetória mantém o Brasil entre as grandes economias com aumento mais expressivo do endividamento público.

Em 2025, a dívida brasileira calculada pela metodologia internacional estava em 93,3% do PIB. Isso significa que, pelas projeções do Fundo, poderá crescer quase sete pontos percentuais em apenas dois anos.

Brasil aparece entre maiores avanços do G20

Levantamentos que utilizam a metodologia internacional indicam que o crescimento recente da dívida brasileira está entre os maiores do G20.

O avanço fica atrás principalmente da China, que também apresenta forte aumento no endividamento em relação ao tamanho da economia.

O problema brasileiro ganha atenção não apenas pelo tamanho da dívida, mas principalmente pelo alto custo dos juros, pelos déficits fiscais e pela dificuldade de estabilizar a relação dívida/PIB.

O FMI estima que o déficit nominal do governo geral brasileiro, indicador que inclui os gastos com juros, fique em 8,2% do PIB em 2026, antes de recuar gradualmente nos anos seguintes.

Dívida pode continuar crescendo após 2027

A projeção não aponta estabilização imediata após a marca de 100%.

Pelo cenário-base do FMI, a dívida avançaria para 102% em 2028, 103,7% em 2029, 104,8% em 2030 e 105,3% do PIB em 2031.

O organismo considera que o Brasil precisará ampliar o esforço fiscal para colocar o endividamento em trajetória sustentável.

Entre as recomendações estão melhora dos resultados primários, controle das despesas obrigatórias e redução de gastos tributários considerados pouco eficientes.

Juros elevados aumentam pressão

Outro fator que pesa sobre as contas públicas é o custo para financiar a dívida.

Mesmo com o início do ciclo de redução da taxa básica de juros, a Selic está em 14% ao ano, patamar ainda elevado e que contribui para manter altas as despesas financeiras do governo.

Quanto maior o custo dos juros, maior tende a ser o esforço necessário para evitar que a dívida cresça apenas pela própria despesa financeira.

O FMI avalia que medidas adicionais são necessárias para criar espaço fiscal e reduzir os riscos associados à trajetória crescente do endividamento.

Banco Central calcula dívida menor

Os números do FMI são superiores aos divulgados pelo Banco Central porque as duas instituições utilizam metodologias diferentes.

Pelo conceito oficial brasileiro, a Dívida Bruta do Governo Geral estava em 81,9% do PIB em junho de 2026, equivalente a aproximadamente R$ 10,8 trilhões.

No mesmo mês, pelo conceito utilizado pelo FMI, o indicador chegava a 95,8% do PIB.

A diferença ocorre principalmente porque o organismo internacional inclui no cálculo títulos do Tesouro Nacional mantidos na carteira do Banco Central que não são integralmente contabilizados na definição brasileira.

As projeções do mercado financeiro coletadas pelo Ministério da Fazenda também são mais baixas quando utilizam a metodologia nacional. No Prisma Fiscal de agosto, a mediana das estimativas aponta dívida bruta de 83% do PIB em 2026 e 86,77% em 2027.

Apesar das diferenças metodológicas, tanto os indicadores nacionais quanto os internacionais apontam uma trajetória de crescimento da dívida, mantendo o equilíbrio das contas públicas entre os principais desafios econômicos do país nos próximos anos.

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