O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) vai utilizar inteligência artificial para auxiliar na triagem e classificação das denúncias eleitorais registradas pelo aplicativo Pardal durante as Eleições 2026.
A presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, explicou nesta sexta-feira (21) que a tecnologia analisará o relato apresentado pelo eleitor e ajudará a identificar qual setor ou órgão deverá receber cada ocorrência.
O sistema poderá analisar a descrição feita pelo denunciante e considerar materiais anexados, como fotos, vídeos, áudios e links, para auxiliar no enquadramento inicial da situação.
A nova versão do Pardal está disponível desde o início da propaganda eleitoral, em 16 de agosto.
IA fará classificação inicial das denúncias
Segundo Serly, nas versões anteriores do sistema, as denúncias chegavam sem uma classificação prévia e precisavam ser separadas individualmente pelos servidores da Justiça Eleitoral.
Com a nova ferramenta, essa primeira triagem será automatizada.
A tecnologia poderá indicar se a ocorrência está relacionada, por exemplo, a propaganda eleitoral irregular ou se deve ser encaminhada para outro canal responsável pela apuração.
De acordo com a presidente do TRE-MT, dependendo da natureza do caso, a denúncia poderá ser destinada à Justiça Eleitoral, Ouvidoria, Justiça do Trabalho, Polícia Federal ou outro órgão competente.
A inteligência artificial, porém, não decidirá se houve crime ou irregularidade. A análise definitiva será realizada por servidores, magistrados ou pelas autoridades responsáveis por cada área.
Eleitor poderá corrigir classificação feita pelo sistema
A Portaria nº 451/2026 do Tribunal Superior Eleitoral estabelece que o Pardal contará com um agente automatizado para classificar as denúncias.
Depois de escrever o relato, o sistema apresentará uma categoria provável para a ocorrência e também informações sobre condutas permitidas e proibidas pela legislação eleitoral.
O próprio denunciante poderá alterar a classificação sugerida pela ferramenta caso considere que ela não corresponde ao fato relatado.
Após o registro, será fornecido um número de protocolo para que o eleitor acompanhe o andamento da denúncia.
Crimes eleitorais e desinformação podem seguir para outros canais
Nem todo tipo de denúncia será tratado diretamente pelo Pardal.
Pelas regras do TSE, o aplicativo é voltado principalmente para irregularidades envolvendo propaganda eleitoral.
Quando o relato envolver desinformação capaz de afetar a integridade do processo eleitoral, o usuário poderá ser direcionado ao Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (SIADE).
Já denúncias relacionadas a crimes eleitorais e outros ilícitos que afetem a disputa podem ser encaminhadas aos canais do Ministério Público Eleitoral. A partir da análise pelos órgãos competentes, outras instituições, como a Polícia Federal, podem atuar conforme a natureza do caso.
Identificação será obrigatória, mas ficará em sigilo
Para registrar uma denúncia no Pardal, o cidadão precisa se identificar.
O acesso ao aplicativo exige autenticação pelo e-Título ou pela plataforma Gov.br.
Segundo Serly, a medida ajuda a impedir que robôs sejam utilizados para inundar o sistema com denúncias falsas ou sem relação com o processo eleitoral.
Apesar da identificação obrigatória, os dados pessoais do denunciante permanecerão protegidos e não serão divulgados ao denunciado.
A presidente do TRE-MT afirmou que o objetivo da nova tecnologia é agilizar o atendimento, facilitar a apresentação das denúncias e direcionar cada ocorrência para o órgão adequado.
O Pardal poderá ser utilizado durante o período eleitoral por cidadãos que identificarem possíveis irregularidades relacionadas às Eleições Gerais de 2026.







