Câmara envia ao STF relato sobre suposta armação contra Alfredo Gaspar; Lindbergh é citado e nega envolvimento

Foto: Reprodução

A Câmara dos Deputados encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o depoimento de um comerciante que relata uma suposta articulação para fabricar uma acusação de crime sexual contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), escolhido como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). O relato foi colhido pela Polícia Legislativa e ainda precisa ser apurado pelas autoridades.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) é citado no depoimento, mas nega qualquer participação na suposta trama. O parlamentar afirma não conhecer as pessoas mencionadas e diz nunca ter participado de reuniões relacionadas ao episódio.

O caso ganhou repercussão depois que Alfredo Gaspar passou a integrar a chapa de Flávio Bolsonaro para a eleição presidencial de 2026.

Comerciante prestou depoimento à Polícia Legislativa

Segundo o material encaminhado ao Supremo, a Polícia Legislativa ouviu, em 23 de abril, um comerciante identificado como Luis Antonio Lopes, de 62 anos. O depoimento ocorreu depois que o gabinete de Alfredo Gaspar informou ter recebido contato do homem relatando a existência da suposta articulação.

De acordo com o depoente, uma jovem chamada Marcela Maria Mendes teria sido recrutada para se apresentar publicamente usando outro nome e sustentar uma acusação falsa contra um político.

O relato afirma que a mulher seria orientada a utilizar a identidade fictícia de “Jailma” e que a história seria apresentada de forma a relacionar Alfredo Gaspar a um suposto crime ocorrido anos antes. Essas afirmações são parte do depoimento e não foram confirmadas pelas autoridades como verdadeiras.

Segundo o comerciante, um homem identificado apenas como Lucas, também chamado de “Doidinho”, teria participado da articulação e se apresentado como assessor legislativo. Ainda conforme o depoimento, ele teria alegado possuir ligações com pessoas do meio político.

Depoimento cita pagamentos

Luis Antonio também afirmou à Polícia Legislativa que sua conta bancária teria sido utilizada para receber valores destinados à jovem envolvida na suposta articulação.

Foram mencionados três pagamentos, nos valores de R$ 4 mil, R$ 10 mil e R$ 2,5 mil. Segundo a reportagem que teve acesso ao documento, comprovantes referentes aos pagamentos de R$ 10 mil e R$ 2,5 mil teriam sido entregues à Polícia Legislativa.

A existência dos pagamentos, por si só, não comprova a finalidade alegada pelo depoente, ponto que deverá ser esclarecido durante a apuração.

Lindbergh é citado em relato sobre reunião

O comerciante afirmou ainda que teria ocorrido uma reunião virtual com a participação da jovem e de outras pessoas. Segundo a versão apresentada por ele, Lindbergh Farias teria participado do encontro.

Por envolver um deputado federal com foro por prerrogativa de função, o material passou pela Corregedoria da Câmara e pela Mesa Diretora antes de ser encaminhado ao STF.

A documentação foi enviada ao gabinete do ministro Gilmar Mendes em 5 de maio.

Lindbergh nega participação

Lindbergh Farias negou as acusações apresentadas pelo comerciante e afirmou desconhecer tanto os envolvidos quanto a suposta articulação.

O deputado classificou a versão como falsa e defendeu que o próprio autor do relato seja investigado. Lindbergh também disse não ter participado de reuniões para organizar qualquer acusação contra Alfredo Gaspar.

Separadamente, Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) haviam encaminhado, em março, uma notícia de fato às autoridades com acusações contra Gaspar. O deputado alagoano nega as alegações.

Caso está no STF

A Polícia Federal pediu ao Supremo autorização para instaurar inquérito relacionado às acusações originalmente apresentadas contra Alfredo Gaspar. Gilmar Mendes solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que pediu a realização de diligências antes de uma decisão definitiva sobre a abertura do inquérito.

O relato sobre a suposta armação passou a integrar o conjunto de informações enviado ao STF. Até o momento, o depoimento do comerciante representa uma versão apresentada às autoridades e não uma conclusão de que houve efetivamente uma trama ou participação de Lindbergh Farias.

As autoridades deverão analisar documentos, movimentações financeiras, eventuais registros de comunicação e os depoimentos das pessoas mencionadas para esclarecer as circunstâncias do caso.

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