O endividamento do agronegócio em processos de recuperação extrajudicial alcançou R$ 98 bilhões em 2026, segundo levantamento do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre). O valor representa uma forte alta em relação a 2025, quando o volume somava cerca de R$ 3 bilhões.
De acordo com os dados divulgados, o avanço ocorre em meio ao aumento das operações de reestruturação financeira no campo, em um contexto marcado por maior pressão no crédito, custos de produção elevados e dificuldades de liquidez enfrentadas por empresas do setor.
Somente em 2026, até o mês de março, foram registrados seis novos casos de recuperação extrajudicial no agronegócio, sendo quatro em fevereiro e dois em março. Desde 2022, quando começou a série histórica do levantamento, já são 36 casos contabilizados.
A publicação aponta ainda que cada processo pode reunir mais de uma empresa. Neste ano, 11 pessoas jurídicas do setor formalizaram pedidos de recuperação extrajudicial. No acumulado desde 2022, o número chega a 87 empresas ligadas ao agronegócio.
Outro dado que chama atenção é o volume de credores atingidos pelas renegociações. Até março de 2026, os processos em andamento envolviam 163 credores. Considerando os últimos quatro anos, o total chega a 1.716 credores.
O cenário reforça a escalada das dificuldades financeiras enfrentadas por parte do setor agropecuário e sinaliza uma ampliação das renegociações de dívidas como alternativa para empresas pressionadas pelo ambiente econômico. Essa conclusão decorre dos números apresentados na matéria.







