A Justiça de Mato Grosso recebeu denúncia contra seis pessoas acusadas pelo Ministério Público Estadual (MPE) de envolvimento com organização criminosa e lavagem de dinheiro supostamente ligados ao Comando Vermelho. Entre os réus estão uma missionária evangélica, a mãe dela, identificada como pastora, e um homem apontado pela acusação como integrante da facção criminosa.
A decisão foi publicada nesta sexta-feira (18) pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá.
Entre os denunciados estão Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, de 31 anos, a mãe dela, Orminda Carlos de Barcelos Almeida, de 56 anos, e Renildo da Silva Rios, conhecido como “Veio”, “Velho” ou “Chapa”. Também se tornaram réus Rhuan Barcelos da Conceição, Anatany Nina de Barcelos Souza Alves e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi.
Segundo o Ministério Público, Rhavenna, Orminda e Renildo são acusados de integrar organização criminosa e de lavagem de dinheiro. Rhuan, Anatany e Lo Rhuama respondem por lavagem de dinheiro.
A denúncia aponta que, entre janeiro de 2024 e julho de 2026, Rhavenna, Orminda e Renildo teriam participado de um dos núcleos do Comando Vermelho em Cuiabá. Os seis denunciados também teriam participado, em diferentes períodos, de movimentações ou ocultação de valores e bens provenientes de atividades criminosas, conforme a acusação.
Visitas a presídios são investigadas
Um dos pontos levantados pelo Ministério Público é a atuação de Rhavenna e Orminda no grupo religioso “Evangelismo Resgatando Vidas”. Segundo a denúncia, elas realizavam visitas a unidades prisionais e teriam utilizado esse acesso para manter contato com integrantes da organização criminosa.
A investigação sustenta que as visitas teriam permitido contato com presos de diferentes setores e facilitado a circulação de informações entre integrantes da facção que estavam dentro e fora das unidades prisionais.
Mensagens extraídas de aparelhos eletrônicos de Rhavenna também indicariam, segundo o Ministério Público, contato com pessoas apontadas como integrantes de liderança da facção. A acusação afirma ainda que ela teria recebido pedidos de presos e levado objetos para unidades prisionais.
O MPE também aponta que Rhavenna mantinha relacionamento com Renildo da Silva Rios, descrito na denúncia como integrante do Comando Vermelho e ocupante da função de “conselheiro final” dentro da organização.
Viagens, armas e movimentações financeiras
As investigações também citam viagens de Rhavenna ao Rio de Janeiro. Conforme a acusação, dados extraídos de sua conta do iCloud indicariam contato com pessoas ligadas à facção. Uma das viagens teria ocorrido em 2025, quando ela teria ido ao Complexo do Alemão.
O Ministério Público afirma ainda que imagens obtidas durante a investigação mostrariam Rhavenna portando diferentes armas de fogo. A denúncia também aponta movimentações financeiras e o recebimento de dinheiro, presentes, joias e veículo.
Ao analisar o caso, o juiz entendeu que a denúncia apresentava os requisitos legais necessários e estava acompanhada de indícios de autoria e materialidade suficientes para o início da ação penal.
Os seis acusados terão prazo de 10 dias para apresentar resposta à acusação. O recebimento da denúncia não representa condenação, e as acusações ainda serão analisadas durante o andamento do processo.





